Porta-voz diz que fala de Papa não foi ataque a Trump

CIDADE DO VATICANO, 19 FEV (ANSA) - O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, explicou nesta sexta-feira, dia 19, que o papa Francisco não quis dizer que o magnata Donald Trump não é um cristão, como foi divulgado pela imprensa mundial.   

"O Papa disse o que todos nós sabemos quando seguimos os seus ensinamentos e sua posição. Que não devemos construir muros, mas pontes", explicou Lombardi, acrescentando que "não se tratou, de forma alguma, de um ataque pessoal ou uma indicação de voto".   

"O papa disse claramente que não entraria nas questões do voto na campanha eleitoral norte-americana e também que -- o que naturalmente não foi muito divulgado -- precisamos verificar se ele [Trump] realmente disso isso e que lhe daria o benefício da dúvida".   

A troca de críticas entre o religioso e o republicano teve início poucos dias antes de Francisco iniciar uma viagem pelo México. Na ocasião, Trump, que defende a construção de um muro para evitar a imigração ilegal de mexicanos, disse que considerava o Papa um homem "muito politizado" para ser líder da Igreja Católica. Ao voltar do México, Francisco rebateu dizendo: "Graças a Deus que ele [Trump] disse que sou um político, porque Aristóteles define a pessoa humana como 'animal político', ou seja, sou humano".   

O líder da Igreja católica ainda declarou a jornalistas que "uma pessoa que pensa em construir muro, qualquer que seja, ao invés de criar pontes, não é cristão. Isto não está no Evangelho". Em debate realizado pela emissora CNN na Carolina do Sul, onde serão realizadas primárias no próximo dia 20, Trump tentou colocar panos quentes e disse que a troca de farpas "não se tratou de uma briga". "Creio que [o Papa] disse algo mais suave do que foi transmitido pela imprensa" afirmou, acrescentando que Francisco "ouviu apenas um lado da história" no que diz respeito a questão imigratória. O republicano ainda disse acreditar que pode se encontrar com Francisco "quando quiser". Uma das propostas de Trump, que lidera várias pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos, é construir um muro na fronteira do país, além de deportar cerca de 10 milhões de imigrantes. O magnata já se envolveu em uma série de polêmicas devido às suas declarações de caráter xenofóbico. Francisco viajou no último dia 12 ao México, país que faz fronteira com os Estados Unidos e cujos problemas de narcotráfico e imigração influenciam a política norte-americana e os debates presidenciais. No país, o Papa fez discursos contra a corrupção e o narcotráfico e visitou uma prisão em Ciudad Juárez. (ANSA)
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