Para Eco,filme O Nome da Rosa foi uma 'boa traição' do livro

Por Giorgio Gosetti ROMA, 22 FEV (ANSA) - Era 1981 quando o cineasta francês Jean-Jacques Annaud, que no momento tinha 40 anos, se deparou com um grande desafio profissional: o de transformar o best-seller do escritor italiano Umberto Eco "O Nome da Rosa" em um filme.   


O diretor acabava que sair de outra empreitada complicada, mas bem sucedida, que durou quatro anos para ser realizada, a do longa "A Guerra do Fogo". Enquanto isso, o produtor italiano Franco Cristaldi montava uma equipe de produção para dar início ao projeto, que arrecadou o seu financiamento de quase US$ 19 milhões em cinco longos anos.   


Entre tantas dificuldades da construção do filme se destacava a de ter um roteiro que conseguisse abordar em detalhes a complexa história criada por Eco em "O Nome da Rosa". Além disso, a escolha das locações ideais para se gravar um longa "medieval" e o processo de eleição dos atores da película também foram desafios importantes para o projeto.   


O roteiro ficou por conta de Gérard Brach junto a Andrew Birkin, Howard Franklin, Alain Godard e também Annaud. Já o cenário foi responsabilidade de Dante Ferretti, que se encarregou de reconstruir, nas proximidades de Roma, a igreja da abadia que aparece na película e de preparar os cenários internos nos estúdios da Cinecittà.   


O texto final do filme acabou contando com um número menor de personagens e com uma história um pouco mais simples. Por isso, o filme acabou sendo uma "traição consensual" do livro, segundo explicou o próprio diretor, que contou que Eco pediu para que ele traísse bem "a obra porque para se adaptar algo bem, precisa-se trair bem". Os resultados do longa foram o êxito de bilheterias, com US$ 70 milhões, e as excelentes críticas em todo o mundo. A película, ambientada em uma abadia beneditina do norte da Itália, conta com uma extraordinária interpretação do carismático Sean Connery.   


O filme reflete de maneira brilhante os misteriosos crimes, acompanhados por maldições ancestrais, escritos por Eco. O sucesso das duas obras se devem à paixão do público pelo mundo medieval, que acabou contaminando legiões inteiras de apaixonados.   


Além disso, em mais de uma vez o mesmo escritor italiano falou mal de seu livro por ele ser o "culpado" de criar "modas" literárias e cinematográficas, como as obras de Dan Brown.   


Por outro lado, Eco nunca escondeu sua admiração à interpretação realizada por Connery e a sua aprovação a Annaud, que conseguiu criar um "espetáculo massivo" com um grande respeito filológico tanto ao assunto tratado no livro quanto nas ambientações feitas no filme.   


A película foi, em outras palavras, uma super-produção européia que não voltou a se repetir e que foi dona de uma narrativa culta e inteligente, conseguindo ser compreendida por todo tipo de espectador.   


Além de Connery, outros grandes atores que trabalharam no projeto foram Christian Slater, Murray Abraham, Michael Lonsdale e Kim Rossi Stuart. (ANSA)
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