Jornal católico elogia filme 'Spotlight', mas defende Igreja

SÃO PAULO, 2 MAR (ANSA) - O jornal católico "L'Osservatore Romano" elogiou o filme "Spotlight", que venceu o Oscar de 2016 e que narra a investigação de jornalistas de Boston que levou à explosão de um escândalo de pedofilia na Igreja Católica.   

Em um artigo intitulado "Este não é um filme anticatólico", assinado por Lucetta Scaraffia, o jornal diz que, apesar dos rumores de que o longa criticaria a Igreja, ele, na verdade, "consegue expressar o choque e a profunda dor dos fiéis" ao se confrontarem com as descobertas dos casos de abusos sexuais. Mas o artigo ressaltou que o filme falhou em não detalhar a batalha lançada pelo papa Bento XVI (2005-2013) para erradicar os crimes de pedofilia dentro da Igreja Católica, mesmo quando ainda era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, organismo responsável por analisar as regras e condutas dos sacerdotes e o futuro da moral católica.   

Além disso, o texto ressalta que as crianças são seres "vulneráveis" em outros círculos sociais, como familiares, escolares e esportivos, e não apenas em religiosos. "Não são todos os monstros que vestem batinas. A pedofilia não necessariamente vem do voto de castidade", disse o artigo católico."No entanto, ficou claro que, dentro da Igreja, alguns estão mais preocupados com a imagem da instituição do que com a gravidade da ação". De acordo com o artigo, a imagem da Igreja também "não pode justificar a extrema culpa de pessoas que, vistas como representantes de Deus, usam sua autoridade e prestígio para explorar inocentes". Por fim, o artigo ressaltou que o fato dos atores e produtores do filme citarem o papa Francisco no discurso de vitória do Oscar "é um bom sinal", pois demonstra que ainda há "confiança na instituição e no Papa para continuar a limpeza iniciada por seu antecessor". "Spotlight: Segredos Revelados" é dirigido por Thomas McCarthy e tem os atores Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Michael Keaton, Liev Schreiber e John Slattery no elenco. O filme é baseado em uma investigação jornalística conduzida em 2002 por uma equipe do jornal "The Boston Globe" sobre pedofilia na Igreja Católica - o que acabou acontecendo mais tarde, quando milhares de casos de abuso em todo o mundo vieram à tona --. A investigação dos repórteres de Boston comprovou que o Vaticano preferia mudar os sacerdotes de paróquia e cargo, afastando suspeitas de abusos, do que denunciá-los por crimes de pedofilia. A medida servia para evitar que os escândalos viessem a toda e abalassem a imagem da Igreja.   

"Spotlight" levou o Oscar de melhor filme e de melhor roteiro original. Na cerimônia realizada nos Estados Unidos, no domingo (28), o elenco pediu para o papa Francisco proteger as crianças e atuar no combate à pedofilia.   

O anúncio da vitória de "Spotlight" no Oscar coincidiu com vários dias de depoimento em Roma do cardeal australiano George Pell a uma comissão de justiça que apura a conduta da Igreja em casos de pedofilia na Austrália, dos anos 1980 em diante. (ANSA)
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