Negociações com as Farc entram em reta final

HAVANA, 3 MAR (ANSA) - O diálogo entre os guerrilheiros das Farc e o governo de Bogotá foi retomado em Havana, Cuba, nesta semana e "corre contra o relógio" para conseguir um acordo final até o final deste mês, como foi prometido pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, cerca de seis meses atrás.   

Os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) divulgaram um comunicado dizendo que "nosso compromisso e decisão política é continuar avançando com todo nosso empenho rumo à assinatura de um acordo final, que dê início ao complexo processo do fim do conflito e à implementação de todo o pactuado".   

Antes da retomada das conversas a portas fechadas no Palácio das Convenções de Havana, os guerrilheiros acrescentaram que "a experiência na mesa [de negociações] demonstrou que quando se atua sem levar em conta à outra parte, a negociação cai em terrenos lamacentos que impedem avanços". "Temos o compromisso de encontrar já, e de maneira conjunta, saídas aos assuntos que faltam discutir", concluíram.   

A chanceler colombiana, María Angela Holguín, declarou, em reunião nas Nações Unidas (ONU), sua "esperança" de que o conflito armado que dura mais de 50 anos termine antes do final de 2016.   

Ela ainda acrescentou que as negociações de paz em Havana "se encontram em sua reta final" após "alcançar avanços sem precedentes".   

Ambas as partes haviam informado que um acordo final deveria ser alcançado até o final de março e, com a proximidade da data, aumentam as tensões em volta de um anúncio.   

Uma fonte colombiana que participa das negociações em Havana disse à ANSA que o acordo deve ser anunciado após o dia 20. A incerteza da população a respeito de um acordo diante da aproximação do prazo causou a queda da aprovação das negociações a 54%, informou a consultora "Gallup$escape.getQuote().Trata-se de uma queda de 13%, se comparado aos resultados de dezembro.   

Além disso, cerca de 80% dos entrevistados não acreditam que um acordo final deve ser atingido até 23 de março.   

Histórico - O governo de Bogotá e as Farc anunciaram no final do ano passado um acordo sobre a espinhosa questão das consequências judiciais do conflito, o que abriu caminho para colocar um fim definitivo ao conflito. A questão do modelo de justiça que será aplicado para garantir os direitos das vítimas do conflito era um dos principais entraves das negociações de paz entre os dois lados, que acontecem em Havana, capital de Cuba, desde o final de 2012. Desde que as Farc foram criadas, no começo dos anos 1960, estima-se que o conflito com Bogotá tenha deixado mais de 200 mil mortos. (ANSA)
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