Após depor em caso de pedofilia,cardeal diz que não renuncia

SÃO PAULO, 04 MAR (ANSA) - O Prefeito de Assuntos Econômicos do Vaticano, cardeal George Pell, afirmou que não pretende renunciar do mais alto cargo econômico da Santa Sé após o escândalo de pedofilia na Igreja da Austrália. A revelação foi feita durante uma entrevista para a emissora "Sky News" nesta sexta-feira (04).   

Segundo Pell, sair do cargo seria uma "admissão de culpa" de que ele falhou em proteger as crianças abusadas entre as décadas de 1970 e 1980, enquanto atuava na diocese de Ballarat. Ao ser questionado se era o "homem mais odiado da Austrália", o cardeal católico ressaltou que a situação é complicada.   

"É muito, muito difícil e muito, muito aborrecedor. Não há o que fazer sobre isso. Não me dão chance. Todo mundo merece uma chance para se defender e a Igreja Católica está me dando isso", disse Pell.   

Ao ser questionado se realmente não sabia de nada, o religioso foi enfático: "não, eu não sabia de nada". "Você acha que foi fácil para mim dar o passo e limpar as coisas em Melbourne? Mas você precisa decidir fazer isso. Precisa enfrentar seus medos", destacou.   

As falas do cardeal ocorreram um dia após o fim da série de depoimentos dele e de vítimas de padres australianos acusados de pedofilia. O interrogatório, que durou quatro dias, foi realizado por uma comissão liderada por Gail Furness.   

O religioso não é acusado pelo crime de abuso sexual, mas de acobertar aqueles que praticaram os estupros nas comunidades.   

Ele ainda é acusado de omitir informações para manter seu status dentro da instituição católica.   

Ao longo dos últimos anos, quando o caso tornou-se público, o cardeal sempre negou que sabia dos muitíssimos caos de pedofilia na diocese de Ballarat, onde foi vice-pároco entre os anos de 1973 e 1983. O australiano ainda era consultor do bispo Ronald Mulkearns, o qual autorizava constante mudanças de paróquias do padre Gerald Ridsdale, que cometeu os abusos por cerca de 30 anos e que atualmente está na prisão por 138 crimes cometidos contra 53 pessoas. Pell ainda precisou responder sobre o padre Peter Searson, acusado de ter relações sexuais com menores na década de 1970.   

Na investigação, descobriu-se que Searson - que faleceu em 2009 - foi alvo de muitas reclamações, que iam desde o fato dele frequentar os banheiros dos meninos, de gravar confissões de fiéis e de colocar meninos de joelhos entre suas pernas. Em sua defesa, o cardeal disse que recomendou a expulsão do padre em 1998 - porém, as denúncias eram frequentes desde 1989. (ANSA)
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