Entenda por que Lula foi levado para depor pela PF

SÃO PAULO, 4 MAR (ANSA) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira, dia 4, para dar depoimento em meio às investigações da Operação Lava Jato, que apura denúncias de esquema de corrupção dentro da Petrobras.   


Ele recebeu mandado de condução coercitiva, apesar de militantes petistas o chamarem de "preso político", e foi libertado após a colaboração.   


Lula não é oficialmente réu em nenhum processo judicial, mas é investigado por ter obtido vantagens indevidas que beneficiaram sua família e seu partido. Ele teria recebido dinheiro do pecuarista José Carlos Bumlai, seu amigo, que já foi preso, e de empreiteiras investigadas pela PF, como OAS e Odebrechet. As empresas teriam feito o pagamento por meio de doações ao Instituto Lula.   


Segundo o procurador do Ministério Público (MP) Carlos Fernando dos Santos Lima, 60% das doações destinadas ao Instituto Lula estão ligadas às cinco maiores empreiteiras investigadas no âmbito da Lava Jato. Ainda de acordo com ele, essas mesmas empresas pagaram cerca de 57% das palestras dadas pelo ex-líder.   


Além disso, um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia, que teriam sido reformados pelas empreiteiras OAS e Odebrecht, investigadas na Operação Lava Jato, seria usufruídos por Lula e sua família. Segundo procuradores,"a suspeita é de que a reforma e os móveis constituem propinas decorrentes do favorecimento ilícito da OAS no esquema da Petrobras".   


Em coletiva de imprensa, Santos Lima disse que o conjunto de indícios contra Lula é "bastante significativo". Ele, no entanto, afirmou que, até o momento, "as investigações não são conclusivas ao ponto de pedir a prisão". Em nota publicada na última noite pelo Instituto Lula, representantes afirmaram que "o ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, antes, durante ou depois de seu governo, seja em relação aos fatos investigados pela Operação Lava Jato ou quaisquer outros citados pela revista". A nova etapa da operação, batizada de "Aletheia", que vem do termo grego "busca pela verdade", não tem relação com a suposta delação de Delcídio do Amaral publicada recentemente pela revista "IstoÉ". Segundo a revista, o senador fez um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Nela, o petista teria dito que Dilma Rousseff e o ex-presidente tentaram interferir nas investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras e que os dois sabiam do esquema na estatal. Na tarde de ontem, no entanto, a equipe do parlamentar divulgou uma nota dizendo que não confirma a autenticidade dos documentos citados pela revista.   


Investigações podem colocar em risco o desejo do ex-mandatário de autoridades do PT de concorrer novamente à Presidência em 2018. (ANSA)
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