Renzi chama projeto de 'bolsa família' na Itália de 'esmola'

ROMA, 05 MAR (ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, de centro-esquerda, chamou de "esmola do Estado" a proposta do partido de oposição Movimento 5 Estrelas (M5S) para criar uma "renda de cidadania" para pessoas que vivem na pobreza, uma espécie de Bolsa Família.   

Em uma newsletter enviada aos membros do seu Partido Democrático (PD), o chefe de governo não mencionou diretamente um dos pilares do programa do M5S, mas disse que "alguns querem dar um salário aos cidadãos, apenas pelo fato de serem cidadãos". "Eu acredito que o dever da política é criar as condições para que cada cidadão possa ter um trabalho, não uma esmola", escreveu.   

Segundo Renzi, é preciso estimular os italianos a "tentar", não a "lamentar", mas ajudando aqueles que vivem em situação de dificuldade. Em 2014, o primeiro-ministro havia elogiado os programas sociais do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva que tiraram milhões de pessoas da pobreza e dito que o petista era uma "referência" para ele.   

A proposta do M5S, que está em discussão na Comissão de Trabalho do Senado, prevê que todas as pessoas maiores de 18 anos que recebam menos de 780 euros por mês, abaixo da linha da pobreza, tenham um auxílio financeiro para atingir esse patamar.   

Já os desempregados teriam direito a esse valor integral, como uma forma de renda básica de cidadania. No entanto, perderia o acesso ao benefício quem recusasse mais de três propostas de emprego. De acordo com o Movimento 5 Estrelas, o projeto custaria 17 bilhões de euros por ano aos cofres públicos, dinheiro que seria obtido com a redução dos gastos do governo e das despesas militares, o aumento dos royalties na exploração de gás e petróleo e dos impostos sobre bancos, seguradoras e jogos de azar, a eliminação da isenção de taxas para imóveis da Igreja (com exceção dos lugares de culto), o veto ao acúmulo de aposentadorias, entre outras coisas.   

Além disso, o M5S alega que a medida forçaria o governo a se esforçar para criar postos de trabalho, já que isso reduziria os desembolsos do benefício. Após as discussões na Comissão de Trabalho, o projeto seguirá para o plenário do Senado, onde o partido precisará dos votos do PD ou do Forza Italia (FI), de Silvio Berlusconi, para aprová-lo.   

O Movimento 5 Estrelas nasceu em 2009 e logo chacoalhou a política italiana, até então polarizada entre a centro-esquerda herdeira do Partido Comunista e da Democracia Cristã e a centro-direita liderada por Berlusconi. Nas eleições parlamentares de 2013, a legenda se tornou a segunda maior força da Câmara dos Deputados e a terceira do Senado, promovendo uma oposição bastante dura aos governos de Enrico Letta e Matteo Renzi.   

No entanto, as restrições a se aliar a siglas tradicionais faz com que ela se mantenha longe do poder, com exceção de cidades de menor importância, e tenha dificuldade para aprovar seus projetos. (ANSA)
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