(Análise) O que sabemos até agora sobre o vírus zika?

Por Ana Ferraz, Gisele Sartini e Sarah Germano SÃO PAULO, 7 MAR (ANSA) - Os primeiros casos de contaminação pelo vírus zika começaram a alarmar as autoridades brasileiras em maio do ano passado, mas somente em novembro o Ministério da Saúde levantou a hipótese de que a doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti poderia provocar microcefalia (má formação cerebral em bebês). Quase um ano depois, muitas perguntas continuam sem resposta.   

Confira o que as autoridades sanitárias brasileiras e mundiais sabem até agora: 1) Existe uma vacina contra o vírus zika? Ainda não existe uma vacina para a zika e nem para os outros vírus transmitidos pelo mosquito Aedes Aegypti. No entanto, uma vacina começou a ser desenvolvida no começo deste ano em parceria do Instituto Butantã de São Paulo com o National Institute of Heath (NIH), dos Estados Unidos. O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse, na última terça-feira (1), que o prazo para o início da produção é de 3 a 5 anos.   

Já em relação ao tratamento da doença quando o contágio é confirmado, o procedimento mais usado atualmente é o mesmo aplicado aos casos de dengue e chikungunya. Segundo representantes do Sistema Único de Saúde (SUS), a pessoa que estiver doente deve repousar, beber bastante líquido e fazer uso de paracetamol ou dipirona, remédios que ajudam a controlar a febre e diminuir a dor. No entanto, não é indicado o uso de ácido acetilsalicílico (AAS), que pode oferecer complicações hemorrágicas 2) As grávidas devem se proteger? Como? O Ministério da Saúde acredita que existe uma ligação do vírus zika com os casos de microcefalia, após análise de tecidos cerebrais de um bebê com má formação cerebral no estado do Ceará. No entanto, ainda existem várias dúvidas sobre os efeitos do vírus no organismo de gestantes. Diante das suspeitas, é melhor adotar métodos de prevenção à picada do mosquito. De acordo com o site "Combate ao Aedes", do Ministério da Saúde, e com a nova cartilha da gestante distribuída pelo governo, usar roupas longas, que cobrem os braços e as pernas, passar repelente todos os dias, aplicar telas que evitem a entrada de mosquitos em residências e evitar proximidade a criadouros são as melhores formas de proteção. Além disso, o cuidado com o vírus deve ser maior durante os primeiros três meses de gestação, considerado o período mais delicado, quando é formado o tubo neural do feto. 3) Mulheres devem evitar engravidar neste período? Ainda não há um consenso se a gravidez deve ser evitada ou por quanto tempo isso teria que acontecer. Nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem uma orientação clara sobre o assunto. No entanto, especialistas e até a Sociedade Brasileira da Dengue/Arboviroses disseram que é bom esperar até que a ligação entre o zika e a microcefalia seja decifrada. 4) Se a zika está presente na África e na Ásia há tantos anos, por que só existem casos de microcefalia no Brasil? Não existe ainda uma resposta sobre o assunto. Mas a Associação Médica Brasileira (AMB) diz que nos países da África, principalmente Uganda e Nigéria, onde prevalece o vírus, a mortalidade infantil é muito alta e a falta de documentação de nascimentos e mortes é precária e incompleta, o que pode ter mascarado casos de microcefalia em bebês com o vírus.   

Já na Polinésia Francesa, de onde o vírus pode ter vindo para o Brasil, a interrupção da gravidez é um processo legal e essas gravidez podem ter sido descontinuadas por causa das alterações descobertas.   

Além disso, de acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), entre o período de explosão do zika vírus na Polinésia Francesa (2013 - 2014), 17 casos de fetos com malformação do cérebro foram reportados. 5) Além da microcefalia, quais outros problemas esses bebês afetados apresentam? Segundo a AMB, o feto infectado pelo vírus pode apresentar outras anomalias cerebrais, como calcificação, dilatações (que podem causar no futuro hidrocefalia na criança e até problemas oculares. Também foram relatados problemas de audição em alguns casos. "A criança pode nascer com o tamanho normal de crânio e o cérebro diminuído, que não se desenvolveria normalmente", disse à ANSA o virologista Adriano Mondini, da Unesp.   

6) O vírus zika pode ser transmitido sexualmente? A possível transmissão sexual do vírus da zika ainda não foi comprovada cientificamente, mas também não pode ser descartada.   

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos Estados Unidos e a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram reportados casos de transmissão sexual em algumas pessoas. Além disso, a presença do zika já foi detectada no sêmen, onde pode permanecer por mais tempo do que na corrente sanguínea.   

Desta forma, recomenda-se o uso de preservativos como melhor meio de ter certeza de que o vírus não será transmitido sexualmente, assim como outras doenças.   

Mondini lembra, no entanto, que este tipo de transmissão não é comum.   

7) Como saber se fui infectado pela zika? Os sintomas da zika são similares aos da dengue e podem ser até mais brandos, como febre, dor nas juntas, manchas vermelhas pelo corpo e conjuntivite, além de dor de cabeça.   

É importante lembrar que certas pessoas nem chegam a apresentar sinais da infecção. (ANSA)
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