UE e Turquia fazem reunião crucial sobre crise de refugiados

LONDRES E ROMA, 7 MAR (ANSA) - Toda a atenção da Europa está voltada nesta segunda-feira (7) para a cúpula extraordinária entre a Turquia e os membros da União Europeia, em Bruxelas, da qual podem sair medidas concretas para enfrentar a maior crise de refugiados registrada no continente desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A UE, que tenta conter o fluxo de imigrantes, pode anunciar o fechamento da rota dos bálcãs, que passa por Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Bósnia, Hungria e Áustria. Desde que a chanceler Angela Merkel anunciou, em meados de 2015, que seu país estava pronto para receber mais de um milhão de imigrantes, centenas de refugiados do norte da África e do Oriente Médio tentam chegar ao continente alemão em longas caminhadas e travessias marítimas via Grécia. Um possível fechamento da rota obrigaria a Turquia a impedir a passagem de milhares de imigrantes no futuro e a repatriar centenas de pessoas que não conseguiram asilo. A medida viria após meses de apelo dos europeus para que o país faça algo para conter a situação. Em troca, a UE pretende conceder uma ajuda financeira a Ancara de cerca de três bilhões de euros. Atualmente, 13 mil imigrantes estão bloqueados no norte da Grécia, depois que a Macedônia, seguida pela Croácia, Hungria e Eslovênia, fecharam suas fronteiras em uma medida unilateral.   

Entre mil e duas mil pessoas tentam chegar à Europa diariamente via território grego. A cúpula extraordinária ocorre um dia após a Europa vivenciar outra tragédia com refugiados, quando um barco afundou e matou 25 pessoas no Mar Egeu ontem (6).   

O problema maior é que os 28 países-membros da UE ainda estão divididos sobre as medidas a serem tomadas e sobre a responsabilidade de cada país nesta crise. No sábado, partidos anti-imigração venceram eleições na Eslováquia, aumentando a tensão dentro do bloco. Além disso, o futuro do Tratado de Schengen, que autoriza a livre circulação de pessoas dentro da UE, também estará em xeque na reunião de hoje. Mas o debate pode ser ofuscado por um protesto de líderes europeus contra o fechamento do jornal turco "Zaman", na última sexta-feira (4), opositor ao regime do presidente Recep Tayyip Erdogan.   

A cúpula ocorrerá em duas sessões. A primeira, no período da manhã, teve a participação da Turquia. A segunda contará com o premier britânico, David Cameron, para se tentar chegar a um acordo comum na UE para resolver a crise. "Esta é a segunda reunião entre a Turquia e a União Europeia em três messes, ou seja, demonstra que a Turquia é indispensável para a UE, e que a UE é indispensável para a Turquia", disse o premier turco, Ahmet Davutoglu, prometendo que "trabalhará ao lado do bloco". Davutoglu também disse esperar que o encontro possa ser uma ocasião não só para resolver a crise de imigrantes, mas também para discutir o processo de adesão de Ancara à UE.   

"Temos muitos desafios diante de nós, e a única maneira de responder a isso é com solidariedade. Não se trata apenas de imigração ilegal, mas de todo o quadro do continente", comentou.   

A Turquia fez seu pedido de adesão à União Europeia em 14 de abril de 1987, na época, Comunidade Econômica Europeia. Desde 1963, o país tenta se aproximar mais do bloco. Em 1995, Ancara assinou um acordo de união aduaneira com a UE e, em 1999, foi reconhecida oficialmente como candidata. (ANSA)
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