Papa Francisco e a valorização das mulheres na Igreja

CIDADE DO VATICANO, 08 MAR (ANSA) - "O Papa é um homem, o Papa também precisa do pensamento das mulheres. E também o Papa tem um coração que pode ter uma amizade saudável, santa com uma mulher. Mas as mulheres ainda são um pouco... Não bem consideradas, não totalmente? Ainda não entendemos o bem que uma mulher pode fazer na vida do padre e da Igreja, em um sentido de conselho, de ajuda, de saudável amizade." Assim disse Jorge Bergoglio no avião que o levou de Ciudad Juárez, no México, a Roma, na Itália. As declarações foram uma resposta aos questionamentos dos jornalistas sobre a recém-revelada amizade entre João Paulo II e a filósofa Anna-Teresa Tymieniecka, que mantiveram uma extensa correspondência durante suas vidas.   

"A amizade com uma mulher não é um pecado, é uma amizade. Uma relação amorosa com uma mulher que não seja sua esposa, sim, é um pecado. Eu, por experiência, quando peço conselhos a colegas ou amigos, sempre gosto de receber a opinião de uma mulher", afirmou o Pontífice na ocasião.   

A valorização feminina é recorrente nos discursos de Francisco.   

No Dia Internacional da Mulher do ano passado, ele ressaltara que um mundo onde elas são marginalizadas é um lugar "estéril".   

Mais tarde, em setembro, pediu o fim dos estereótipos sobre as mulheres e a criação de uma nova teologia voltada a elas.   

Críticas à disparidade salarial de gêneros e ao machismo também já apareceram em seus pronunciamentos. Em seu mandato, o Vaticano ainda construiu duchas exclusivas para mulheres sem-teto na praça São Pedro. "Perdoem-me se sou um pouco feminista", brincou Francisco em um encontro com jovens em setembro passado.   

No entanto, uma das principais causas feministas, o direito ao aborto, vai de encontro às convicções de Jorge Bergoglio. Em fevereiro deste ano, o argentino condenou a interrupção da gravidez como forma de evitar o nascimento de bebês com microcefalia, embora tenha defendido o acesso aos métodos contraceptivos como um "mal menor" para combater a disseminação do vírus zika.   

Ainda assim, Francisco autorizou todos os sacerdotes a perdoarem o "pecado do aborto" durante o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que acontece até 20 de novembro. Até então, essa prerrogativa era exclusiva de bispos diocesanos. (ANSA)
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