Caso de italiano morto no Cairo ganha novas versões

ROMA, 09 MAR (ANSA) - A investigação sobre a morte do estudante italiano Giulio Regeni, 28 anos, no Egito ganhou novos detalhes nesta quarta-feira (09) e podem mostrar que o governo egípcio sabia de detalhes sobre a vida do pesquisador.   

Segundo o jornal "La Repubblica", um grupo de amigos muito próximos à Regeni foi interrogado antes mesmo de saber da morte do pesquisador, que estava desaparecido há cerca de 10 dias.   

"Convocaram-me para fazer 'algumas perguntas' e me interrogaram em seis ou sete. Não havia advogados. Começaram a me pedir sobre Giulio, sobre seus estudos, suas relações além da namorada atual, se fazia uso de substâncias proibidas", contou o amigo identificado apenas como "F" pela publicação. Segundo essa fonte, ele só soube da morte do amigo depois de falar com os policiais egípcios.   

A postura dos policiais contradiz as versões anteriores do governo local, de que a Embaixada italiana foi rapidamente avisada da morte do jovem - quando, de fato, isso demorou horas para ocorrer.   

Ainda de acordo com o periódico, a polícia de El Dokki, cidade onde morava, foi ao apartamento do estudante no final de dezembro, mas não o encontrou - outro dado que os egípcios sempre negaram.   

O colega ainda afirmou que, em um evento de sindicalistas no dia 11 de dezembro, "Giulio percebeu que havia sido fotografado por uma mulher egípcia com um celular e achou estranho, conversamos por muito tempo e achamos que poderiam ser informantes das forças de segurança".   

O jornal "The New York Times" já havia informado que a morte de Regeni poderia ter sido um "erro" do governo do Egito, que o teria confundido com um espião. A Chancelaria local informou que a notícia "não era real".   

O "La Repubblica" ainda entrevistou o procurador-adjunto de Gizé, Hassam Nassar, que está conduzindo as investigações por parte do Egito. Para ele, houve erro de informações no quesito da tortura do especialista. Segundo Nassar, o italiano morreu "não muito antes das 24 horas precedentes à localização do corpo, na manhã do dia 3 de fevereiro".   

Inicialmente, a morte do pesquisador era tida como crime comum, mas aos poucos começou a ganhar contornos de assassinato político, colocando à prova as boas relações entre Itália e Egito. Regeni estava no Cairo para uma tese acadêmica sobre a economia local e sindicatos independentes, mas também contribuía com o jornal comunista "Il Manifesto". Antes de sumir, ele chegou a enviar um artigo - publicado após sua morte -, pedindo para o diário usar um pseudônimo. Além disso, pessoas próximas ao italiano alegaram que ele estava com "medo", ainda mais depois de ter sido fotografado em uma assembleia sindical no Egito. A suspeita é que a polícia o tenha confundido com um espião, uma vez que ele participava ativamente da vida dessas entidades independentes. O corpo do pesquisador de 28 anos foi encontrado com sinais de tortura, incluindo as duas orelhas mutiladas e duas unhas arrancadas. (ANSA)
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