Fusão de jornais acende alerta no governo italiano

MILÃO, 09 MAR (ANSA) - A iminente fusão entre as editoras dos jornais italianos "la Repubblica" e "La Stampa", dois dos maiores do país, ligou o sinal de alerta no gabinete do primeiro-ministro Matteo Renzi. Em um pronunciamento na Câmara dos Deputados, a ministra para as Relações com o Parlamento Maria Elena Boschi disse nesta quarta-feira (9) que o governo está acompanhando a operação "com atenção".   

No entanto, ela deixou claro que o poder Executivo não tem a prerrogativa de intervir nas tratativas. "O governo não tem poderes de intervenção direta, mas seguramente acompanhará com atenção a evolução dessa possível operação de fusão", declarou. A união entre as empresas Itedi, proprietária dos diários "La Stampa" e "Il Secolo XIX", e Gruppo Editoriale L'Espresso, que publica a revista semanal "l'Espresso" e o periódico "la Repubblica", criará o maior grupo do setor na Itália, com três jornais nacionais, 17 locais e diversas emissoras radiofônicas.   

"Certamente será um grupo de grande relevância. O governo está particularmente atento ao valor do pluralismo da informação no nosso país", acrescentou Boschi. Segundo a ministra, a junção será submetida às autoridades antitruste e, se não houver nenhuma ilegalidade, será aprovada com base na "liberdade de iniciativa empreendedorial e até de informação".   

"Além disso, em todo o Ocidente está em curso um processo de consolidação de vários grupos editoriais que, segundo observadores, é praticamente irreversível, já que não se deve apenas à crise econômica, mas também à crise do setor", ressaltou Boschi, que é uma espécie de braço direito de Renzi.   

A operação - No início de março, o grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA) assinou um memorando de entendimento para a fusão entre a Itedi, editora da qual é proprietário, e o Gruppo Editoriale L'Espresso.   

A união formará a maior empresa do setor editorial na Itália, ultrapassando a RCS Media Group, dos jornais "Corriere della Sera" e "La Gazzetta dello Sport". Atualmente, a holding da família Agnelli, controladora da FCA, também detém quase 17% da RCS, participação que será repassada aos outros sócios para permitir a fusão entre Itedi e L'Espresso.   

A Fiat Chrysler Automobiles terá 16% da editora resultante da operação - sua parcela atual na Itedi é de 77%. A nova empresa será controlada pela holding CIR, dona do Grupo Editoriale L'Espresso.   

Atualmente, o jornal "la Repubblica", sediado em Roma, é o segundo mais vendido da Itália, atrás apenas do "Corriere della Sera", de Milão. Já o diário "la Stampa", baseado em Turim, é o quinto com maior tiragem. (ANSA)
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