Há exatamente 70 anos, italianas votavam pela 1ª vez

Por Nicoletta Castagni ROMA, 10 MAR (ANSA) - "Foi uma coisa maravilhosa poder ser igual nos direitos. Antigamente, quem falava nisso?", disse a italiana Maria Giulia Tonini em entrevista à ANSA sobre a primeira vez na qual ela pôde votar, há exatamente 70 anos. A data, dia 10 de março de 1946, não foi especial só para a senhora, mas sim para todas as italianas, que puderam exercer pela primeira vez seu poder de voto em eleições do país.   


"Nunca me senti inferior a um homem, mas as outras pessoas faziam com que você não valesse nada socialmente e ninguém conseguia fazer nada a respeito", explicou Tonini, que nasceu em 1923 na pequena cidade de Versilia e morou nela por 80 anos.   


Os duros anos da Segunda Guerra Mundial fizeram da vida da senhora um inferno com apenas 20 anos. "Até setembro de 1943, vivíamos de acordo com tradições do século passado, a mulher era um 'angelo del focolare' [mulher dedicada somente à casa, aos filhos e ao marido] e mais nada. E depois, de repente, ela precisou estar preparada para bombardeios, para o medo, para a destruição; para mudanças repentinas demais", contou.   


O fim da guerra, em abril de 1945, foi recebido "não só com esperança, mas também com a segurança de que as coisas não seriam mais as mesmas", afirmou Tonini. "O voto para as mulheres foi uma coisa importante, no entanto, após anos terríveis de fome e conflitos, nós o esperávamos como um direito e não como um presente, uma concessão", continuou a italiana. Quando a guerra terminou "nós seguímos na política apaixonadamente, mas eu estava em uma cidade pequena, Forte dei Marmi, e as eleições administrativas não foram muito abrangentes já que éramos todos uma grande família", explicou ela.   


O voto do dia 2 de junho do mesmo ano para exprimir o voto político no refendo que escolheu entre a monarquia e a república no país "esse sim teve uma participação devida, com o campo participando dela", analisou Lula.   


"O meu voto agora valia como o de um homem, como o de Benedetto Croce [grande escritor da época], italiano que para mim representava a expressão máxima do autoritarismo masculino", contou a senhora.   


"Todas nós fomos votar, todas nós sentimos que pertencíamos ali e acreditávamos profundamente que poderíamos fazer muitas coisas juntas. Queríamos fazer parte da história e sermos todas iguais", concluiu Tonini. (ANSA)
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