'Não tenho cara de quem vai renunciar', diz Dilma

SÃO PAULO, 11 MAR (ANSA) - Um dia após o pedido de prisão do ex-mandatário Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira, dia 11, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, que "não tem cara de quem vai renunciar". "A renúncia é um ato voluntário. Aqueles que querem a renúncia estão reconhecendo que não há uma base real para pedir a minha saída desse cargo. Portanto, por interesses políticos de quem quer que seja, por definições de quem quer que seja, eu não sairei desse cargo sem que haja motivo para tal", declarou.   


"Vocês acham que eu tenho gênio de resignada, que eu tenho cara de quem está resignada? Essa história de resignação não é comigo", disse Dilma. "[É bom que] vocês testemunhem que eu não tenho cara de quem vai renunciar".   


Dilma enfrenta o momento mais difícil de seu governo com o andamento da operação Lava Jato implicando cada vez mais nomes importantes dentro do PT. Figuras ligadas ao partido governista, como o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o marqueteiro do partido João Santana já foram mencionadas na investigação. Além disso, o clima está tenso desde o começo do mês, quando vazaram 400 páginas do suposto depoimento do senador Delcídio do Amaral, suspenso do PT, também implicado nas investigações.   


Segundo matéria da revista "IstoÉ", ele teria dito que tanto Dilma quanto Lula teriam interferido nas averiguações. Na última sexta-feira, dia 4, Lula foi levado coercitivamente para depor no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. Em paralelo à operação, o Ministério Público de São Paulo expediu na última quinta-feira, dia 10, um mandado de prisão preventiva contra ex-presidente. O líder petista é investigado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por conta da suposta ocultação de um apartamento tríplex no Guarujá (SP) que está em nome da empreiteira OAS. Segundo Dilma, o ato "passou de todos os limites". "Não existe base nenhuma para este pedido. Ultrapassa o bom senso. É um ato de injustiça e é um absurdo que um país como o nosso assista um ato desses", acrescentou. "O governo repudia, em gênero número e grau essa atitude com o presidente". Sendo que, como ex-presidente, ele não tem foro privilegiado, surgiram nesta semana boatos de que ele poderia assumir algum ministério. Ontem, nos bastidores começou a se falar de que Lula poderia tomar posse da Casa Civil, principal pasta de articulação política do governo.   


O ex-presidente deve decidir se assume ou não um ministério até a próxima segunda-feira. Sobre a possibilidade, Dilma defendeu que "em qualquer governo ele seria uma imensa contribuição".   


Manifestações - Em meio à severa crise política e econômica, os pedidos de impeachment vêm aumentando nos últimos meses.   


Opositores organizaram no próximo domingo, dia 13, manifestações em todo o país pedindo sua saída do Poder que prometem levar milhares de pessoas às ruas.   


Questionada sobre a bipolarização no país, ela pediu calma, disse que é momento de diálogo, mas que defende o direito de livre manifestação. Ministro da Justiça - Sobre a situação do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, que ocupa cargo no Ministério Público e, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), não poderá atuar no Executivo, Dilma disse que não deve achar nada, mas apenas cumprir as ordens. "Sobre decisão do Supremo, eu não acho. Eu cumpro", disse.   


Questionada sobre o que ele deve fazer, se deve largar a posição no MP para atuar como ministro, a presidente disse: "vou olhar para ele e dizer: 'Meu querido, você decida o seu destino de acordo com as suas convicções e com aquilo que lhe é interessante'". "Ele tem 25 anos de Ministério Público e não cabe a mim fazer nenhum apelo. Não posso prejudicar ninguém", concluiu. (ANSA)
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