Processo 'Vatileaks 2' é retomado com análise de perícia

CIDADE DO VATICANO, 12 MAR (ANSA) - Durou pouco mais de uma hora a audiência deste sábado (12) que retomou o processo sobre o novo vazamento de dados sigiliosos da Igreja Católica, em um caso que ficou conhecido como "Vatileaks 2". Há três meses, o processo estava parada pelo pedido de análise de uma série de provas.   

Realizada à portas fechadas, a audiência apresentou os dados de uma perícia técnica realizada nos celulares e computadores que pertenciam à então funcionária da Santa Sé, Francesca Immacolata Chaouqui, e ao monsenhor espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda. Os dois eram da Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas do Vaticano (Cosea), órgão criado temporariamente pelo papa Francisco para monitorar as contas da Igreja Católica.   

Os principais acusados do vazamento saíram sem dar declarações à imprensa, mas segundo fontes contaram à ANSA, o padre espanhol perdeu o "benefício" da prisão domiciliar e voltou a ser preso preventivamente na Gendarmaria Vaticana. Segundo essas fontes, Balda estava tentando "contaminar" as provas do processo e violou a proibição de se comunicar com pessoas externas ao Colégio Penitenciário, onde cumpria pena.   

Além dos dois, estão sendo investigados o assistente do padre espanhol, Luca Maio, e os jornalistas Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, que publicaram dois livros com as informações vazadas.   

"Nestes três meses, aconteceram coisas importantes: no meu livro, escrevi que o [cardeal Tarcisio] Bertone havia recebido 200 mil euros do [hospital] Menino Jesus para a reforma de seu apartamento e agora ele devolveu 150 mil; escrevi que o [cardeal George] Pell estava com sérios problemas por um suposto encobertamento de padres pedófilos e agora ele pediu desculpas por não ter feito o suficiente. Enfim, escrevi sobre os elevados e injustificados custos para a beatificação e, há dois dias, o Papa emitiu um documento em que revisa as normas para impedir despesas desnecessárias para a causa", afirmou Fittipaldo que escreveu o livro "Avarizia" ("Avareza").   

Agora, as audiências e os interrogatórios serão retomados na próxima segunda-feira (14).   

- Relembre o caso: Quase três anos depois de sua eleição, ocorrida às pressas devido à histórica renúncia do papa Bento XVI, os efeitos das reformas de Francisco vieram à tona e provocaram o maior escândalo de sua gestão: o chamado "Vatileaks2", o segundo vazamento de documentos oficiais da Santa Sé (o primeiro ocorreu em 2012 e é considerado o estopim para a saída de Bento XVI do cargo).   

Uma das primeiras decisões de Francisco como líder católico, entre julho e agosto de 2013, foi a formaçãode comitês para análises de reformas econômicas e para supervisão de atividades financeiras da Santa Sé.   

As medidas foram adotadas em conjunto com uma série de novas normas contra lavagem de dinheiro, financiamentos ilícios e corrupção. Uma das principais comissões, a de Reforma Econômica-Administrativa da Cúria, era composta por sete especialistas laicos e por um religioso, o padre espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda, de 54 anos, que era secretário da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé e membro da Opus Dei.   

Por um ano, o grupo se reportou diretamente ao Papa, aconselhando-o sobre assuntos econômicos e sobre como melhorar a transparência do Vaticano. Mas o que deveria ser apenas um passo para uma reforma nos organismos financeiros e nas contas do Vaticano, sobretudo no banco Instituto para as Obras de Religião (IOR), acabou se tornando a maior crise da gestão de Francisco até agora.   

Parte dos documentos redigidos pela comissão foi vazada e comprovou uma clara resistência de uma ala do purpurado ultraconservador às mudanças implantadas pelo Papa.   

"Avarizia" ("Avareza", na tradução do italiano) é assinado pelo jornalista Emiliano Fittipaldi e relata a constituição do império financeiro da Santa Sé, denunciando o gasto excessivo de membros da Igreja em passagens aéreas, imóveis, artigos de luxo e roupas, financiado com desvios de obras de caridade. Já a obra "Via Crucis", do também jornalista Gianluigi Nuzzi, conta como Francisco tem encontrado dificuldades em realizar suas reformas. (ANSA)
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