(Análise) Protesto 'incendeia' debate sobre impeachment

Por Sarah Germano SÃO PAULO, 14 MAR (ANSA) - No último domingo, dia 13, milhões de pessoas saíram às ruas de todo o Brasil pedindo o fim da corrupção e o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo o Datafolha, em São Paulo, cerca de 450 mil pessoas foram à Avenida Paulista na maior manifestação da história da cidade.   

O cientista político e professor da ESPM Heni Ozi Cukier explicou que as chances de impeachment aumentam, mas destacou que os protestos não se tratam de um "fator decisivo".   

O especialista lembrou que já existe um processo pelo impeachment em andamento, que é "incendiado" pelas manifestações. "A opinião publica se torna um outro fator decisivo se você tem um questão política ou jurídica em jogo".   

"No caso do Mensalão, houve investigação e um processo judicial, mas não houve impeachment, faltaram elementos que não estão faltando desta vez", apontou.   

"Os protestos mandam um recado claro das ruas para os representantes políticos. É difícil um deputado ou senador ignorar isso".   

O professor de ciência política da Unicamp Valeriano Costa, por sua vez, disse que se trata de um "ambiente de muita incerteza", mas destacou que "as manifestações em São Paulo foram muito impactantes".   

"Esse protesto de domingo deu nova vida, nova dinâmica, aos protestos contra o governo", que haviam perdido força recentemente. Costa ainda lembra que a queda de Dilma levaria a um cenário político extremamente incerto. "É um momento muito complicado e muito tenso, em vários níveis", apontou.   

A presidente se reuniu nesta manhã com aliados, entre eles os ministros da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, para analisar os efeitos dos protestos no processo de impeachment. Na noite de ontem, Dilma declarou, em nota oficial, que "a liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada". Ela ainda elogiou "o caráter pacífico das manifestações" que demonstram "a maturidade de um país que sabe conviver com opiniões divergentes e sabe garantir o respeito às suas leis e às instituições".   

Histórico - Dilma enfrenta o momento mais difícil de seu governo com o andamento da operação Lava Jato implicando cada vez mais nomes importantes dentro do PT. Além disso, o clima está tenso desde o começo do mês, quando vazaram 400 páginas do suposto depoimento do senador Delcídio do Amaral, suspenso do partido, também implicado nas investigações. Segundo matéria da revista "IstoÉ", ele teria dito que tanto Dilma quanto Lula teriam interferido nas investigações da Lava Jato. No dia 4, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado coercitivamente para depor no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. Em paralelo à operação, o Ministério Público de São Paulo expediu na última quinta-feira, dia 10, um mandado de prisão preventiva contra ex-presidente. O líder petista é investigado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por conta da suposta ocultação de um apartamento triplex no Guarujá (SP) que está em nome da empreiteira OAS. (ANSA)
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