Após atentado em Ancara, governo turco bombardeia curdos

ROMA, 14 MAR (ANSA) - O governo da Turquia começou a bombardear bases de grupos curdos nesta segunda-feira (14) após um atentado ter matado, ao menos, 37 pessoas em Ancara neste domingo (13).   

Segundo o último boletim médico, 125 pessoas ficaram feridas na ação, sendo que 71 ainda estão internadas - 19 em estado grave.   

Apesar de nenhum grupo ter assumido a autoria do ataque, o governo suspeita que foram os militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que realizaram a ação na capital do país. Segundo informações do Exército, foram usados 11 caças na operação que mirou em 18 alvos, incluindo locais que armazenam munição e Qandil e Gaara.   

O jornal turco "Sozcu" informou que uma das kamikazes do atentado deste domingo era a estudante Seher Cagla Demir, 24 anos, que teria deixado a universidade para se unir ao PKK em 2013. A informação não foi confirmada pelas autoridades.   

Em comunicado, o presidente Recep Tayyip Erdogan condenou a ação, mas não citou nomes de envolvidos. "Nosso povo não deve ter medo porque a nossa luta contra o terrorismo certamente terá sucesso ao fim e o terrorismo será colocado de joelhos. Com essas ações que ameaçam a integridade do nosso país, prosseguiremos a luta com ainda mais determinação", ressaltou o mandatário.   

Na reconstituição do crime, que não teve fotos divulgadas por uma proibição do governo, os investigadores concluíram que o carro-bomba foi jogado contra um ônibus que estava parado em uma rua movimentada.   

A explosão causou danos tanto no veículo como em outros carros que estavam estacionados em uma região próxima. O local do incidente fica entre o parque Guven e a praça Kizilay, a pouca distância de duas estações de metrô.   

Ainda de acordo com as primeiras análises, o material usado no atentado é o mesmo utilizado em outro ataque, no dia 17 de fevereiro, que causou a morte de 29 pessoas.   

Os atentados, principalmente em Ancara, aumentaram desde o fim do cessar-fogo entre governo e o PKK, ocorrido no fim de julho do ano passado. Os militantes curdos, que ficam próximos às fronteiras do país com a Síria e com o Iraque, lutam por autonomia há décadas - o que preocupa à comunidade internacional que luta contra o Estado Islâmico (EI, ex-Isis), que tem suas bases nessas duas nações.   

Apesar de ser o maior deles, o PKK não é o único que luta pela autonomia da região. No caso do atentado de fevereiro, por exemplo, quem assumiu a autoria da ação foi o grupo separatista Falcões pela Libertação do Curdistão (TAK) - que o governo acusa de ser um dos braços do PKK.   

- Entenda as lutas de cada grupo na Turquia: O governo da Turquia está em luta contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) - grupo curdo turco - desde 1984, alternando momentos de intensos ataques e relativa paz.   

Atualmente, o Exécito realiza ataques às bases militares do grupo tanto na Turquia, como na Síria e no Iraque. Por sua vez, o PKK luta por terra contra o avanço do Estado Islâmico.   

Já a Unidade de Proteção Popular (YPG) é o braço armado do Partido de União Democrática (PYD) - aliado político do PKK e de origem curda síria. Também luta em terra contra o EI.   

Os Falcões pela Libertação do Curdistão (TAK) surgiram em 2004 e operam na fronteira com o Iraque. Apesar do governo dizer que eles são parte do PKK, eles afirmam ser autônomos em suas ações.   

Desde sua fundação, o TAK afirma tem realizado diversos atentados pelo país.   

Todos são considerados grupos terroristas pelo governo turco, mesmo não tendo esse reconhecimento de maneira internacional. O PKK e o YPG são aliados da coalizão internacional - liderada pelos Estados Unidos - na luta contra o EI na Síria e no Iraque.   

O governo turco tem apenas "boas relações" com os curdos do Iraque, que são divididos em três grandes grupos: Governo Regional Curdo (KRG), os Peshmerga - espécie de Exército curdo - e o Partido Democrático do Curdistão no Norte (KDP). Os três também lutam contra o EI por terra.   

Com 26 milhões de pessoas, os curdos são a maior etnia sem um Estado próprio em todo o mundo. Eles reclamam soberania sobre um território que cobre majoritariamente o sudeste da Turquia e o norte do Iraque e Síria. Estima-se que o conflito de décadas com Ancara já deixou mais de 40 mil mortos. (ANSA)
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