Após derrota nas urnas, Merkel manterá política imigratória

BERLIM, 14 MAR (ANSA) - Mesmo tendo enfrentado uma derrota nas eleições de três estados alemães e visto a extrema-direita aumentar sua participação na política nacional, o governo de Angela Merkel afirmou que não mudará a maneira de gerir a crise dos refugiados.   

"O governo alemão prosseguirá com sua política sobre os refugiados, com todas as forças, dentro e fora do país. O objetivo deve ser uma solução comum europeia, que leve à redução visível dos refugiados em todos os Estados-membros", disse o porta-voz do governo, Steffen Seibert, ao ser questionado por jornalistas nesta segunda-feira (14).   

Pouco após uma reunião com os líderes de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), Merkel reafirmou o discurso de seu porta-voz e destacou que o que ocorreu nas eleições deste domingo (13) foi um voto de protesto.   

"O tema dominante foi o dos refugiados e o voto foi um sinal da constatação que, aos olhos das pessoas, não foi encontrada uma solução duradoura e satisfatória", reafirmou a chanceler. A líder política da Alemanha destacou que ainda "demandará tempo" ter uma "solução europeia" para a atual crise imigratória, mas que "passos à frente estão sendo dados".   

Sobre o avanço do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AFD), de Frauke Petry, que fez sua campanha baseada no fechamento de fronteiras para os deslocados e é contra a permanência do país na União Europeia, Merkel disse que é preciso "confrontar os conteúdos" de cada partido para superar "esse voto de protesto" dos cidadãos. Porém, ela reconheceu que o domingo "foi um dia pesado" para o CDU.   

Para analistas, uma das grandes forças do AFD foi ter atraído para as urnas um tipo de eleitor que não costuma comparecer ao pleito, mas que está com medo do que o fluxo de imigrantes pode causar às suas vidas. Também atraiu aqueles que se dizem descontentes com os dois partidos governistas, o CDU de Merkel e o Partido Social-Democrata (SPD), por não darem respostas aos problemas que dar mais de um milhão de asilos pode causar à economia.   

O resultado das urnas foi uma resposta à política adotada pela chefe de Governo da Alemanha, no ano passado, durante o período em que a Europa registrou o maior número de deslocados chegando ao continente da Segunda Guerra Mundial. Desde então, os alemães afirmaram que iriam conceder um milhão de pedidos de refúgio para aqueles que fugiam de guerras no Oriente Médio e no norte da África.   

Merkel encabeça, com o apoio maciço da Comissão Europeia, da Itália e da França, o grupo de líderes europeus que pedem uma maior abertura da Europa aos imigrantes.   

- Resultados até o momento: Segundo os dados atualizados, com 70,4% das urnas apuradas em Baden-Württemberg, o Aliança90/Os Verdes (GRÜ, na sigla em alemão) tem 30,3% dos votos contra a CDU e 15,1% da AFD.   

Na Renânia-Palatinado, que também tem 70,4% das urnas apuradas, o Partido Social-Democrata (SPD) tem 36,2% contra 31,8% do CDU de Merkel e 12,6% do AFD. Na Alta Saxônia, com 61,1% das urnas apuradas, a CDU teve 29,8% contra 24,2% da AFD. (ANSA)
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