Matteo Renzi diz que política na Itália é 'surreal'

ROMA, 14 MAR (ANSA) - Após um final de semana repleto de acusações entre membros do governista Partido Democrático (PD), o primeiro-ministro Matteo Renzi destacou que o debate político interno da Itália, da Europa e do resto do mundo é "surreal".   

"O debate interno de todos os partidos (e infelizmente, dessa vez, também no PD) é surreal. Aos meus companheiros de partido que põem grandes problemas sobre a visão estratégica da esquerda, na Itália e no mundo, farei uma atualização na próxima segunda-feira e, sobretudo, no congresso de 2017", escreveu o premier em newsletter enviada nesta segunda-feira (14) aos seus correligionários.   

A fala de Renzi ocorre após um final de semana em que o líder do governo criticou aqueles que querem protestar no seu partido.   

Segundo o premier, em um evento na sexta-feira (12), quem o critica está destruindo as origens da sigla - a então legenda "L'Ulivo" - e que "ser de esquerda não é fazer manifestação contra a reforma trabalhista, mas trabalhar para aumentar os postos de trabalho e é buscar a realidade para aquela que não é a realidade paralela de nossas discussões internas".   

Renzi ainda acusou a ala minoritária e "insatisfeita" do PD de ajudar a deixar a Itália nas mãos de Silvio Berlusconi, de centro-direita.   

Um dos fundadores do "L'Ulivo" e, por consequência, do PD, o ex-primeiro-ministro Pier Luigi Bersani se revoltou com as frases do atual líder do governo e disse que Renzi só governa "porque tem meus votos".   

"Eu admito, fiquei muito nervoso, ninguém toca no l'Ulivo. Se por causa da formação política você diz que a esquerda destruiu o l'Ulivo, que nós ajudamos Berlusconi... quero lembrar que a centro-esquerda derrotou Silvio Berlusconi por três vezes. Renzi está comodamente governando com os votos que eu tive. Não eu Bersani, eu centro-esquerda", destacou.   

Bersani ainda ressaltou que "parece" que o premier não quer que a ala descontente permaneça no partido e que quer "expulsá-la" a todo custo.   

A minoria do PD entrou em conflito aberto com Renzi durante a votação do projeto da reforma trabalhista, que completou um ano neste mês de março. Eles eram contra mudanças nas leis sobre demissões sem justa causa, fato que foi alterado pelo premier.   

Os cerca de 40 parlamentares acusaram Renzi de estar fazendo um governo de direita nessa questão.   

O confronto ideológico ainda ocorre durante uma época de primárias na Itália. Entre abril e junho - as datas ainda não foram definidas -, o país realizará eleições em mais de 1,3 mil cidades, incluindo as mais populosas do país: Roma, Milão, Nápoles e Turim. Garantir a Prefeitura desses municípios é essencial para o projeto de poder de Matteo Renzi, já que um mau resultado nas urnas poderia ressuscitar as críticas sobre a legitimidade de seu governo, que não foi eleito pelo povo. - Candidato de direita critica mulheres na política: Após aparentar calma para as primárias de Roma em torno do nome do médico Guido Bertolaso, a coalizão de direita do Força Itália, de Silvio Berlusconi, da Irmãos da Itália (FDI) e do Liga Norte (LN) pode ter perdido força após declarações deste fim de semana. Isso porque, apesar de aceitar o nome, o presidente do LN, Matteo Salvini, não se convenceu ainda de que ele era o melhor.   

Bertolaso afirmou que a política Giorgia Meloni (FDI) deveria parar de querer se candidatar às primárias de direita e ir para casa "ser apenas mãe". "Meloni deve ser apenas mãe. Parece-me que essa seja a coisa mais bonita que possa acontecer a uma mulher. Deve gerir essa página de sua vida e não vejo porque qualquer um deva obrigá-la a fazer uma campanha eleitoral feroz", disse o candidato.   

Por sua vez, a representante não perdeu tempo e respondeu ao candidato. "Eu não quero polemizar. Digo apenas, com todo orgulho, a Guido Bertolaso que eu serei mãe - e espero ser uma ótima mãe - como todas aquelas mulheres que, entre mil dificuldades e com condições muito mais difíceis do que as minhas, conseguem conciliar compromissos profissionais e maternidade. E digo isso, sobretudo, por respeitá-las muito", afirmou. (ANSA)
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