Berlusconi critica candidata à prefeita por estar grávida

ROMA, 15 MAR (ANSA) - O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi criticou a possível pré-candidata de direita à prefeitura de Roma, Giorgia Meloni, por querer disputar o cargo ao estar grávida.   

Para o presidente do partido Força Itália (FI), "as mulheres têm cinco meses de trabalho não obrigatório" a partir do momento que se tornam mães e "está claro para todos que uma mamãe não pode dedicar-se a um trabalho terrível" como é, atualmente, administrar a capital italiana.   

"Ser prefeito de Roma quer dizer ficar fora [de casa] e no escritório por 14 horas ao dia. Há pessoas que por egoísmo do partido buscam obrigar Giorgia a isso e fazer mal para ela", disse Berlusconi em uma clara referência ao presidente do partido de extrema-direita Liga Norte (LN) de Matteo Salvini.   

As afirmações do ex-premier são consequência de uma polêmica ocorrida durante o final de semana entre os partidos de direita.   

Isso porque o FI e o LN, ao lado do Irmãos da Itália (FDI), haviam chegado ao consenso com o nome do médico Guido Bertolaso para ser o escolhido da direita para a disputa eleitoral pelo governo de Roma.   

Atualmente, a "cidade eterna" está sendo liderada interinamente pelo comissário Francesco Paolo Tronca, que assumiu o posto após o ex-prefeito Ignazio Marino ter sido "derrubado" do posto no fim de 2015. Até este final de semana, tudo parecia calmo com a nomeação de Bertolaso. Porém, os rumores de que Matteo Salvini estaria descontente com a escolha do médico e que preferia indicar Meloni para o posto, acirraram os ânimos.   

No domingo (13), Bertolaso afirmou que "Meloni deve ser apenas mãe" porque "essa é a coisa mais bonita que possa acontecer a uma mulher". Ao ouvir a declaração, a então representante da Defesa Civil afimrou que gostaria de se candidatar ao cargo e ser "como todas aquelas mulheres que, entre mil dificuldades e com condições muito mais difíceis que as minhas, conseguem conciliar compromissos profissionais e maternidade".   

A polêmica se estendeu e outras mulheres que atuam na política italiana. As ministras Maria Elena Boschi e Marianna Madia afirmaram que só as mulheres é que devem decidir sobre o que fazer com suas vidas. "A coisa insuportável é que todos dizem o que você tem que fazer. Cada mulher está apta a discernir.   

Vamos nos ajudar a ser mais livres", disse Madia para a "rival política" Meloni através do Twitter.   

Em entrevista nesta terça, Bertolaso se defendeu de fazer "declarações sexistas" e disse acreditar que "uma mamãe pode trabalhar muito bem [na Prefeitura], mas eu acredito que uma mulher que está grávida deve ser protegida e não ser estressada de manhã à noite".   

Porém, após o imbróglio o FDI emitiu uma nota onde afirma que "por unanimidade", o Escritório da Presidência da sigla é "favorável à candidatura de Giorgia Meloni para prefeita de Roma".   

Ao saber da mudança de postura, Berlusconi pediu que "a palavra seja respeitada" entre os partidos.   

"As coisas estão assim. No dia 12 de fevereiro, com uma declaração conjunta nós escolhemos Bertolaso, que tinha superado uma série de situações difíceis e de ter aceitado uma candidatura. Depois alguns mudaram de ideia. Eu acredito que na política, assim como na vida, a palavra sempre deve ser respeitada", destacou o ex-premier.   

Ainda não há data definida para as eleições para a prefeitura de Roma, mas o pleito deve ocorrer entre os meses de abril e junho.   

(ANSA)
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