Congresso argentino debate pagamento de títulos da dívida

BUENOS AIRES, 15 MAR (ANSA) - A Câmara de Deputados da Argentina deu início hoje, dia 15, ao debate sobre o projeto de pagamento dos fundos de investimentos, chamados pelos kirchneristas de "abutres", detentores de títulos da dívida do país, levantando críticas dos setores de esquerda.   

Para conseguir o pagamento dos abutres, o governo de Mauricio Macri, que tem como objetivo tirar o país da "moratória técnica", precisa revogar no Congresso as normas conhecidas como "Ley Cerrojo" e Pagamento Soberano, que impedem o pagamento dos investidores. Muitos setores, no entanto, têm medo que, com as dívidas contraídas pelo país para realizar os pagamentos, Buenos Aires volte a sofrer com políticas econômicas ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, os argentinos não esqueceram a crise financeira do começo dos anos 2000 e têm medo de passar por um cenário semelhante.   

Macri disse no último domingo que, caso seu projeto não tenha êxito, as consequências para a economia argentina serão "o ajuste ou a hiperinflação".   

A coalizão governista "Cambiemos", formada por 89 legisladores, assegurou o quórum mínimo de 129 deputados para iniciar a sessão, com o apoio de outras legendas. Eles agora tentam conseguir aprovar a revogação das normas, já que não têm maioria no Congresso.   

No começo deste mês, o juiz norte-americano Thomas Griesa, responsável pela contenda jurídica entre os fundos de investimentos, chamados "abutres", e o governo de Buenos Aires, levantou as medidas cautelares que impediam o país de pagar os credores que aceitaram a renegociação da dívida diante da condição de que as normas sejam suspensas até 14 de abril. A Suprema Corte dos Estados Unidos recusou em junho de 2014 o recurso apresentado por Buenos Aires para revisar a ordem de pagamento dos títulos da dívida pública argentina, comprados quando o país declarou moratória, em 2001, não renegociados, e ordenou seu pagamento. Os "abutres" não aceitaram o acordo proposto pelo governo de Cristina Kirchner de pagar um valor renegociado. A ex-mandatária, por sua vez, acusava os fundos de tentar extorquir o governo. Os outros 92% de credores, no entanto, concordaram em receber valores menores e perdoar os juros, mas só poderiam ser pagos após os fundos de investimentos. Com moratória técnica por conta dos trâmites judiciais, Macri, que assumiu o Poder em dezembro, quer articular um acordo, a fim de voltar a tomar empréstimos no exterior para financiar obras públicas, sua estratégia para retomar a economia local. Organizações sociais e partidos políticos de esquerda convocaram uma manifestação no final da tarde de hoje em frente ao Congresso para expressar seu rechaço ao projeto.   

Além disso, cerca de 50 artistas argentinos, entre eles Charly Garcia e Cecilia Roth, difundiram na última segunda-feira, dia 14, um vídeo nas redes sociais com o título "Não voltemos ao Fundo", expressando seu descontentamento com o pagamento. (ANSA)
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