Lula já teria aceitado ministério, diz jornal 2

SÃO PAULO, 15 MAR (ANSA) - O jornal "O Globo" publicou, citando como fontes amigos próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ele avisou ontem, dia 14, que decidiu aceitar o convite de Dilma Rousseff para voltar ao governo como ministro. Assumindo como responsável de uma pasta, Lula ganha foro privilegiado para responder pelos processos judiciais e pelo pedido de prisão preventiva por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ou seja, caso aceite cargo, ele será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), saindo do âmbito do juiz Sérgio Moro. Além disso, um eventual processo ganharia celeridade. O líder petista é investigado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por conta da suposta ocultação de um apartamento triplex no Guarujá (SP) que está em nome da empreiteira OAS. No dia 4, o ex-presidente Lula foi levado coercitivamente para depor no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. Em paralelo à operação, o Ministério Público de São Paulo expediu na última quinta-feira, dia 10, um mandado de prisão preventiva contra ele. Os cargos mais cotados para Lula seriam a Casa Civil ou a Secretaria de Governo, pastas ligadas diretamente ao Palácio do Planalto e envolvidas com articulação política no Congresso, onde o governo teme perder cada vez mais seu apoio. Também especula-se que ele assuma o Itamaraty, por ter projetado o Brasil no exterior durante seu mandato.   


Além do foro privilegiado, como ministro Lula ajudaria na articulação do governo. Dentro do governo Dilma, ele teria a responsabilidade de atuar nos bastidores para barrar um processo de impeachment contra a presidente. Dilma enfrenta o momento mais difícil de seu governo com o andamento da operação Lava Jato implicando cada vez mais nomes importantes dentro do PT. O clima está tenso desde o começo do mês, quando vazaram 400 páginas do suposto depoimento do senador Delcídio do Amaral, suspenso do partido, também implicado nas investigações. Segundo matéria da revista "IstoÉ", ele teria dito que tanto Dilma quanto Lula teriam interferido nas investigações da Lava Jato. "Se estamos em um processo de economia difícil, que depende de um ajuste fino na área da política, todo mundo sabe que essa é a capacidade maior do ex-presidente: sua capacidade de aglutinar, de articular. É uma decisão dele", comentou o atual ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. A possibilidade do petista ingressar na gestão Dilma agitou os mercados e investidores, além de fazer o dólar voltar a subir no início desta semana, após quedas consecutivas nos dias anteriores, batendo a marca de R$ 3,70. O senador Aécio Neves, da oposição, declarou que "a ida do ex-presidente Lula para um ministério reforça a certeza dos brasileiros de que o governo tem hoje como única preocupação a sua sobrevivência a qualquer custo". "Enquanto o governo se mobiliza apenas em torno dos interesses do PT, os problemas reais dos brasileiros se avolumam sem perspectiva de solução. Mais uma vez, o governo serve ao PT e não ao país. O PSDB está analisando as medidas judiciais cabíveis nesse caso", concluiu, em comunicado nas redes sociais.   


(ANSA)
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