Câmara argentina aprova projeto para pagar 'abutres'

BUENOS AIRES, 16 MAR (ANSA) - A Câmara de Deputados da Argentina aprovou, após longo debate, a revogação das normas que impedem o pagamento dos fundos de investimentos, chamados pelos kirchneristas de "abutres", detentores de títulos da dívida do país, levantando críticas dos setores de esquerda. O projeto, que revoga as normas conhecidas como "Ley Cerrojo" e Pagamento Soberano, que impedem o pagamento dos investidores, foi aprovado com 165 votos a favor e 85 contra. Não houve abstenções.   

Essa é a primeira vitória do presidente Maurício Macri, cujo partido não têm maioria na instituição, no Congresso. A vitória só foi possível com a ajuda de deputados peronistas.   

A medida gora deve passar por votação no Senado. Macri disse no último domingo que, caso seu projeto não tenha êxito, as consequências para a economia argentina serão "o ajuste ou a hiperinflação". Muitos setores têm medo que, com as dívidas contraídas pelo país para realizar os pagamentos, Buenos Aires volte a sofrer com políticas econômicas ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, os argentinos não esqueceram a crise financeira do começo dos anos 2000 e têm medo de passar por um cenário semelhante. Histórico - No começo deste mês, o juiz norte-americano Thomas Griesa, responsável pela contenda jurídica entre os fundos de investimentos e o governo de Buenos Aires, levantou as medidas cautelares que impediam o país de pagar os credores que aceitaram a renegociação da dívida diante da condição de que as normas sejam suspensas até 14 de abril. A Suprema Corte dos Estados Unidos recusou em junho de 2014 o recurso apresentado por Buenos Aires para revisar a ordem de pagamento dos títulos da dívida pública argentina, comprados quando o país declarou moratória, em 2001, não renegociados, e ordenou seu pagamento. Os "abutres" não aceitaram o acordo proposto pelo governo de Cristina Kirchner de pagar um valor renegociado. A ex-mandatária, por sua vez, acusava os fundos de tentar extorquir o governo. Os outros 92% de credores, no entanto, concordaram em receber valores menores e perdoar os juros, mas só poderiam ser pagos após os fundos de investimentos. Com moratória técnica por conta dos trâmites judiciais, Macri, que assumiu o Poder em dezembro, quer articular um acordo, a fim de voltar a tomar empréstimos no exterior para financiar obras públicas, sua estratégia para retomar a economia local. (ANSA)
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