Casa Civil, o ministério mais problemático do governo

SÃO PAULO, 15 MAR (ANSA) - Presente no organograma da política brasileira desde a década de 1930, a Casa Civil ganhou atribuições com a chegada do PT ao Planalto e se tornou o ministério mais poderoso do governo, mas também um dos mais problemáticos.   

Dos oito nomes que ocuparam a pasta a partir de 2003, três tiveram de renunciar devido a escândalos. O primeiro deles, que inaugurou essa fase de "superpoder" na Casa Civil, foi José Dirceu (2003-2005). Ex-candidato a herdeiro de Lula, o então ministro deixou o posto no auge do mensalão, caso pelo qual viria a ser condenado mais tarde.   

Dirceu foi sucedido por Dilma Rousseff, que permaneceu no cargo até março de 2010, quando oficializou sua campanha pela Presidência da República. Em seu lugar ficou uma antiga aliada, Erenice Guerra, que durou menos de seis meses na pasta, derrubada por um escândalo de tráfico de influência. O processo contra ela foi arquivado em 2012.   

No fim de 2010, a Casa Civil foi chefiada interinamente por Carlos Eduardo Esteves Lima, que conseguiu passar incólume pela função. O primeiro "superministro" de Dilma foi Antonio Palocci, que resistiu apenas até junho de 2011 devido a acusações de enriquecimento ilícito.   

Em seguida se sucederam Gleisi Hoffmann (2011-2014), Aloizio Mercadante (2014-2015) e Jaques Wagner (2015-2016). Todos eles foram citados em delações da Operação Lava Jato, os dois primeiros inclusive pelo senador Delcídio do Amaral (ex-PT).   

A Casa Civil é o ministério mais próximo da Presidência e coordena os trabalhos das outras pastas, além da articulação política do governo. Por isso, seu chefe é tido às vezes como um "primeiro-ministro", cargo característico de regimes parlamentaristas. Com o PT, a Casa Civil normalmente é usada como trampolim para futuras candidaturas a presidente. Foi assim com Dirceu e Dilma.   

Desde que foi levado para depor na Operação Lava Jato, no início de março, Lula tem reiterado sua intenção de concorrer nas eleições de 2018, e o novo cargo pode lhe garantir os holofotes necessários para isso - caso ele sobreviva às denúncias do Ministério Público. (ANSA)
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