Denunciado, Lula será ministro da Casa Civil

SÃO PAULO, 16 MAR (ANSA) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será nomeado nesta quarta-feira (16) como ministro-chefe da Casa Civil, posto ocupado atualmente por Jaques Wagner, aliado antigo do ex-mandatário. A informação é do líder do PT na Câmara, Afonso Florence, e do líder do governo na Casa, José Guimarães.   


Com isso, Lula, acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro pelo Ministério Público de São Paulo, assume a pasta mais importante do gabinete de Dilma Rousseff e ganha foro privilegiado para responder às denúncias do "caso tríplex". Como ministro, o ex-presidente será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), saindo da mira do juiz Sérgio Moro, que coordena em Curitiba (PR) as ações da Operação Lava Jato. Dos 11 magistrados do STF, oito foram nomeados pelo PT, sendo três por Lula.   


Por outro lado, Dilma empossa um nome de peso para a sua articulação política, na função de conseguir barrar no Congresso o processo de impeachment iniciado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Já Wagner deve continuar na Casa Civil, mas no posto de secretário-executivo.   


Especula-se que, como condição para aceitar o convite de Dilma, Lula teria pedido a volta de Celso Amorim ao Itamaraty e mudanças na política econômica. Até o atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, estaria com o cargo ameaçado.   


O líder petista é investigado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por conta da suposta ocultação de um apartamento tríplex no Guarujá (SP) que está em nome da empreiteira OAS. No dia 4 de março, o ex-presidente foi levado coercitivamente para depor no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. Em paralelo à operação, o Ministério Público de São Paulo expediu na última quinta-feira (10) um mandado de prisão preventiva contra ele, que será analisado por Moro. Atualmente, Dilma enfrenta o momento mais difícil de seu governo, com a Lava Jato implicando cada vez mais nomes importantes dentro do PT. O clima está tenso desde o começo do mês, quando vazaram 400 páginas da delação premiada do senador Delcídio do Amaral, na qual ele diz que tanto a mandatária quanto seu antecessor teriam interferido nas investigações.   


O senador Aécio Neves, a quem Delcídio acusou de receber propina em Furnas, chegou a declarar que "a ida do ex-presidente Lula para um ministério reforça a certeza dos brasileiros de que o governo tem hoje como única preocupação a sua sobrevivência a qualquer custo". Com a confirmação de Lula na Casa Civil, a oposição deve entrar na Justiça para tentar impedir sua posse. (ANSA)
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