Padre se sentia 'ameaçado' por jornalistas do 'Vatileaks 2'

CIDADE DO VATICANO, 16 MAR (ANSA) - Após ter admitido o vazamento de documentos sigilosos sobre as contas do Vaticano, o monsenhor espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda disse que temia ser "ameaçado" pelos jornalistas Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, autores de livros sobre escândalos financeiros da Igreja.   

A declaração foi dada na última terça-feira (15), durante uma das audiências do processo "Vatileaks 2". "Eu interpretei algumas palavras de Fittipaldi como se ele soubesse sabe-se lá quantas coisas sobre mim, então temi ser chantageado", declarou Balda, respondendo a uma pergunta da advogada do repórter citado, Lucia Musso.   

No entanto, pressionado pela defesa dos dois jornalistas, ele ressaltou que "não houve ameaças diretas e concretas". "Eu diria que me sentia ameaçado", explicou o monsenhor, desta vez respondendo ao advogado de Nuzzi, Roberto Palombi.   

Segundo ele, sua situação era de "ansiedade", levando-o a interpretar os pedidos dos repórteres por documentos sigilosos de um modo que o fazia "sentir medo de perguntar". Balda era da Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas do Vaticano (Cosea), órgão criado pelo papa Francisco em 2013 para monitorar as finanças da Santa Sé, porém já dissolvido.   

Ele é acusado de formação de quadrilha e "subtração e difusão de notícias e documentos reservados". Já Nuzzi e Fittipaldi respondem apenas pela difusão desses arquivos, tida pelo Vaticano como ilegal. Nesta quarta-feira (16), os dois disseram que as recentes declarações do monsenhor deveriam provocar a retirada das acusações contra eles, já que comprovam que o religioso não foi ameaçado.   

Fittipaldi é autor de "Avarizia" ("Avareza"), livro que, baseado em documentos confidenciais, traça os primeiros mapas do império financeiro da Santa Sé e denuncia gastos luxuosos por parte de membros do clero.   

Entre outras coisas, o volume conta como centenas de milhares de euros foram gastos em voos de classe executiva, roupas sob medida e móveis de luxo. Outra denúncia acusa o Instituto para as Obras de Religião (IOR) de segurar quantias destinadas a ações de caridade.   

Já o outro repórter acusado, Gianluigi Nuzzi, é autor de "Via Crucis", que relata os duros ataques de Francisco contra os dirigentes que comandaram as finanças da Santa Sé nos anos anteriores à sua chegada ao poder. "Os custos estão fora de controle", "Há armadilhas" e "Se não sabemos cuidar do dinheiro, como cuidaremos da alma dos fiéis?" são algumas das frases atribuídas a Jorge Bergoglio.   

O episódio fez com que o menor país do mundo revivesse o clima do "Vatileaks", de 2012, quando arquivos sigilosos foram levados à imprensa e abalaram o Pontificado de Joseph Ratzinger. O escândalo teve como pivô o mordomo de Bento XVI, Paolo Gabriele.   

(ANSA)
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