Política grávida responde Berlusconi e se candidata em Roma

ROMA, 16 MAR (ANSA) - Até algumas semanas atrás, o médico Guido Bertolaso era o candidato único da direita para a Prefeitura de Roma. Após semanas de negociações, ele havia conseguido unir os três principais partidos conservadores do país - Força Itália (FI), Liga Norte e Irmãos da Itália (FDI) -, mas declarações machistas provocaram um racha na aliança e impulsionaram a entrada na disputa de uma forte postulante ao Campidoglio, Giorgia Meloni.   

É verdade que a coalizão formada no último dia 12 de fevereiro já era bastante frágil, por unir o moderado FI, liderado pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, com duas legendas radicais. Posições mais brandas de Bertolaso referentes a acampamentos nômades levaram o secretário-geral da Liga Norte, Matteo Salvini - um notório crítico dos ciganos -, a iniciar uma busca por outro candidato.   

Em meio a tudo isso, começou-se a especular que Meloni, presidente do FDI, pudesse entrar na disputa, embora no início de fevereiro ela mesmo tivesse descartado a ideia por causa de sua gravidez. No entanto, vendo ruir seu papel de postulante único da direita em Roma, Bertolaso foi à TV e deu mais um passo em direção ao precipício.   

Em entrevista à emissora "La7", o médico disse que Meloni não poderia se candidatar porque precisava "ser mãe". No dia seguinte, Berlusconi deu o empurrão que faltava para derrubar de vez seu pupilo. A um programa de rádio, ele afirmou: "Está claro para todos que uma mamãe não pode se dedicar a um trabalho terrível", como comandar Roma.   

Nesta quarta-feira (16), a presidente do FDI respondeu às declarações machistas dos aliados com o anúncio de sua candidatura a prefeita da capital e maior cidade da Itália. "Uma mulher deve decidir livremente, nenhum homem pode dizer a uma mulher o que ela deve ou não fazer. Por isso decidi sair às ruas, mesmo estando grávida", declarou Meloni em um comício em frente ao Pantheon.   

Em seguida, começou a pressão para Berlusconi e Bertolaso desistirem de seu projeto e apoiarem a líder do FDI, que terá ao seu lado a Liga Norte. "O seu currículo é um valor a mais, nos dê uma mão, vamos trabalhar juntos", disse Meloni ao médico. No entanto, nenhum dos dois deu o braço a torcer. "Não me retiro, seguirei adiante", garantiu Bertolaso. "Em frente, venceremos", ressaltou o ex-primeiro-ministro.   

Giorgia Meloni tem 39 anos, é jornalista de formação e foi ministra da Juventude no último governo Berlusconi (2008-2011).   

Antes, havia sido vice-presidente da Câmara dos Deputados. Além de líder, ela é uma das fundadoras do Irmãos da Itália, movimento que nasceu de uma dissidência dentro do partido do ex-Cavaliere.   

Filha de pai comunista, a presidente do FDI é uma das principais líderes da direita na Itália e já foi comparada pela imprensa local à francesa Marine Le Pen. Suas posições são contrárias ao euro, à imigração, ao aborto e à adoção de crianças por casais de pessoas do mesmo sexo.   

Além de Bertolaso, ela terá como maiores rivais em Roma o candidato do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), Roberto Giachetti, e a postulante do Movimento 5 Estrelas (M5S), Virginia Raggi. As últimas pesquisas apontam para uma disputa apertada entre Meloni, Giachetti e Raggi.   

As eleições municipais da capital serão realizadas entre abril e junho deste ano, assim como em outras 1,3 mil cidades da Itália.   

(ANSA)
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