Presidente egípcio promete 'verdade' sobre morte de italiano

CAIRO, 16 MAR (ANSA) - Após semanas falando através de ministros e representantes, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, afirmou nesta quarta-feira (16) que seu país fará de tudo para esclarecer as circunstâncias da morte do estudante italiano Giulio Regeni no Cairo.   

"Prometo que esclareceremos o caso e chegaremos à verdade, que trabalharemos com as autoridades italianas para fazer justiça e punir os criminosos que mataram o vosso filho", disse al-Sisi em uma entrevista ao jornal italiano "La Repubblica".   

Para o mandatário, a morte do pesquisador "foi um choque" também para os egípcios e não se furtou a falar sobre as "perguntas" que ainda estão abertas sobre o caso. Al-Sisi disse que o que ocorreu com o estudante "é terrível e inaceitável".   

Ao ser questionado sobre as acusações de que os investigadores egípcios não estão fazendo o suficiente para explicar o fato, dado que o corpo foi encontrado há mais de um mês e meio, o líder destacou que o maior problema atual é estabelecer a "cronologia" dos fatos. Ele questionou ainda porque o corpo do estudante foi abandonado em uma vala justamente no dia em que "uma delegação italiana de empresários e um ministro italiano estavam no Cairo?".   

Regeni foi encontrado morto e com sinais de tortura no dia 3 de fevereiro, após ficar nove dias desaparecido. A princípio, sua morte parecia uma crime comum, mas com os detalhes da autópsia e interrogatórios de amigos e conhecidos, o crime começou a aparentar a ser político e cometido por serviços de segurança oficiais - pelo tipo de tortura encontrado no corpo.   

Isso porque, nos últimos dados conhecidos de sua pesquisa sobre a política e a economia egípcia pós-Primavera Árabe, o italiano acusava o governo de al-Sisi de manipular dados e "caçar" seus opositores. O caso fez com que as relações entre Itália e Egito fossem abaladas, sendo que o porta-voz do governo chegou a chamar o ato de "terrorismo" para criar problemas nas relações exteriores do país.   

"O relacionamento com a Itália é histórico e único por sua natureza. Hoje, vocês são nosso maior parceiro comercial na União Europeia e há ainda uma forte amizade entre os nossos povos pela importante presença de comunidade nos dois países.   

Não podemos permitir a nada e a ninguém nos dividir", reforçou o presidente ao periódico.   

- Renzi comenta entrevista: O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, comentou a entrevista do presidente do Egito e ressaltou que vieram "palavras muito importantes que confirmam aquilo que ele chama de relacionamento especial entre Itália e Egito".   

"É importante o envolvimento do procurador [Giuseppe] Pignatone e que há divisão de informações nas investigações. Essa entrevista na qual o presidente se dirige diretamente à família de Regeni mostra que são evidentes e significativos os passos dados à frente. Agora, todos juntos, encontraremos os culpados", ressaltou o premier.   

O político italiano se referia ao fato do líder das investigações na Itália, o procurador de Roma, Giuseppe Pignatone, ter ido ao Egito para saber os avanços da busca pelos suspeitos no Cairo. Além de receber detalhes sigilosos do caso, Pignatone confirmou que os egípcios irão para a Itália para a troca de informações. (ANSA)
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