Lula entoa 'não vai ter golpe' e prega respeito às urnas

SÃO PAULO, 18 MAR (ANSA) - Falando para a multidão vermelha que tomou conta da Avenida Paulista, em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (18), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entoou coros de "não vai ter golpe", atacou os que "não aceitam o resultado das urnas" e disse que aceitou chefiar a Casa Civil para dar tranquilidade para Dilma Rousseff governar.   


Segundo o líder petista, terça-feira que vem (22) ele estará em Brasília, se nenhuma liminar impedir, para "servir ao povo brasileiro". "Este país tem de ter uma sociedade harmônica. Este país precisa voltar a entender que democracia é a convivência com a diversidade. Eu quero que a gente aprenda a conviver de forma civilizada, com as nossas diferenças", afirmou.   


Lula ainda declarou que algumas pessoas falam em democracia "da boca para fora" e elogiou os milhares de manifestantes presentes na avenida mais famosa de São Paulo. "O que vocês estão fazendo, espero que seja uma lição para aqueles que falam em democracia, mas não acreditam em democracia. Eu queria dizer que estas pessoas que estão aqui, de vermelho, são parte das pessoas que produzem o pão de cada dia do povo brasileiro. Elas não estão aqui porque tiveram metrô de graça, não estão aqui porque foram convocadas pelos meios de comunicação a semana toda", acrescentou o ex-presidente, fazendo referência às denúncias de que o governador Geraldo Alckmin teria liberado as catracas em dias de protestos contra o PT.   


"Quando a presidenta Dilma ganhou, eles, que se dizem pessoas evoluídas e estudadas, não aceitaram o resultado. Faz um ano e três meses que estão atrapalhando a presidenta Dilma a governar este país. Reclamam que o dólar está alto porque querem viajar para Miami. Eu viajo para a Bahia, para Garanhuns [sua cidade natal], para dentro do Brasil", ressaltou o ex-presidente.   


Quando a multidão começou a gritar "não vai ter golpe", Lula se juntou ao coro e disse: "Nós lutamos para derrubar regime militar, pela democracia, e não vamos aceitar mais um golpe neste país". No entanto, o petista minimizou os protestos contra ele mesmo ("Nasci na vida fazendo protesto, fazendo greve"), prometeu ajudar Dilma ("Um dos motivos pelos quais eu aceitei estar lá é para que Dilma sorria pelo menos 10 vezes por dia") e adotou um tom conciliatório ("Temos que convencê-los que democracia é o resultado do voto"), sem criticar diretamente nenhum adversário, como o juiz Sérgio Moro e o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.   


Ao lado de Lula estavam o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro dos Esportes Orlando Silva, a quem coube a função de atacar Cunha, chamando o peemedebista de "fascista".   


Os atos - Milhares de pessoas vestidas de vermelho tomaram nesta sexta-feira pelo menos quatro quarteirões da Avenida Paulista no ato em defesa do governo e da democracia convocado pelo PT e por movimentos sociais.   


Na via mais famosa de São Paulo, manifestantes levantaram bandeiras do partido, inflaram balões da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e criticaram o que chamam de "golpe", Moro, Cunha, membros da oposição e a Rede Globo. Outros grupos, como o Movimento Sem-Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), também estavam presentes.   


A maior parte dos militantes se concentrou em frente ao Masp, mas a avenida foi bloqueada nos dois sentidos e em quase toda a sua extensão. De acordo com os organizadores, 250 mil militantes estavam presentes na Paulista. A manifestação também teve um show do cantor Chico César.   


Além de São Paulo, mais de 20 estados registraram atos em defesa do governo, incluindo o Distrito Federal, onde, na capital Brasília, o PT espera reunir pelo menos 10 mil manifestantes durante a noite. O protesto ocorre na Esplanada dos Ministérios.   


João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, derrubado por um golpe, subiu em um caminhão da CUT e atacou Moro, a quem ele acusou de querer provocar mortes e chamou de "ditadorzinho".   


A marca dos 10 mil foi superada em Natal (RN), segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte. A capital potiguar abrigou um dos atos pró-governo mais expressivos desta sexta-feira. De acordo com os organizadores, foram cerca de 30 mil pessoas participando de uma marcha de 6 km. Para a PM, 17 mil.   


Já em Belo Horizonte (MG), os manifestantes levaram um boneco do senador mineiro Aécio Neves vestido de presidiário. Em Salvador (BA), um dos presentes foi o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, que chamou de coisa de "gente branca" os protestos contra o PT. Na cidade, as estimativas vão de 60 mil (PM) a 100 mil (organizadores).   


Em Maceió (AL), a manifestação foi pela manhã. Segundo a PM, o ato na capital alagoana reuniu 3 mil pessoas. Para os organizadores, foram 8 mil. No Rio de Janeiro (RJ), a concentração ocorre na praça 15 e, segundo os responsáveis pelo ato, estão reunidos mais de 70 mil indivíduos. (ANSA)
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