Direitos humanos marcam coletiva de Obama e Castro

HAVANA, 21 MAR (ANSA) - Uma pergunta de um jornalista norte-americano sobre presos políticos mostrou nesta segunda-feira (21) que a questão do respeito aos direitos humanos continuará sendo motivo de embaraço na histórica reaproximação entre Estados Unidos e Cuba.   

Em uma coletiva de imprensa conjunta dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, o repórter da "CNN" Jim Acosta, filho de pai cubano, perguntou se existem presos políticos na ilha caribenha. Desacostumado com questionamentos, o até então tranquilo mandatário elevou a voz e rebateu: "Dê-me a lista dos presos. Se houver presos políticos, eu os soltarei antes que caia a noite".   

Em suas aparições, o irmão de Fidel não costuma abrir espaço para perguntas, mas como o hábito é comum nos EUA, aceitou responder pelo menos uma. No fim das contas, por insistência de Obama, o presidente de Cuba ainda permitiu que uma jornalista norte-americana também o questionasse.   

Assim como da primeira vez, as supostas violações por parte de Havana também foram a pauta. Castro afirmou que não há nenhum país no mundo que respeite todos os direitos humanos e exaltou os que a ilha promove, como o direito à educação gratuita, à saúde e à igualdade salarial entre homens e mulheres.   

"Não se pode politizar o tema dos direitos humanos. Vamos trabalhar para que todos os países cumpram todos", declarou o mandatário, admitindo que Cuba, assim como outros Estados, não respeita a lista inteira. Antes de encerrar a breve coletiva, Castro reiterou: "Deem-me os nomes dos presos políticos".   

O tema esteve presente nos discursos dos dois presidentes, que procuraram ressaltar que Washington e Havana têm de aprender a conviver com suas diferenças, "olhando para frente". "Existem diferenças profundas entre nossos países que não vão desaparecer. Temos diferenças sobre democracia, direitos humanos, a paz. Defendemos os direitos humanos, mas consideramos que os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais são indivisíveis, interdependentes e universais", acrescentou Castro.   

O irmão de Fidel ainda disse não entender como um governo não defende o acesso à saúde, à educação, à alimentação e ao desenvolvimento. Ele também ressaltou que a normalização das relações bilaterais só será concluída com o fim do embargo norte-americano à ilha e a devolução do território ocupado pela penitenciária de Guantánamo, a qual Obama pretende fechar antes do fim do seu mandato. "O embargo é o obstáculo mais importante para o nosso desenvolvimento econômico e para o bem estar do povo cubano", salientou.   

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos foi enfático: "O embargo vai cair". Ele afirmou não saber quando isso vai ocorrer, mas disse acreditar que o percurso para levantar as restrições continuarão além de sua administração. "O embargo não serve aos nossos interesses e nem aos de Cuba", ressaltou.   

O norte-americano agradeceu pelo carinho do povo cubano, elogiou a gastronomia local e ainda destacou o "paciente trabalho de mediação" do papa Francisco, que contribuiu de modo "decisivo" para reaproximar Washington e Havana. Obama também reconheceu os progressos de Cuba como nação, principalmente nas áreas de saúde e educação, e lembrou que o futuro do país será definido pelo seu povo.   

"Cuba é soberana, seu futuro será definido pelos cubanos e por ninguém mais. Ao mesmo tempo, assim como fazemos em todos os lugares do mundo, continuaremos a falar em democracia", declarou. O mandatário dos EUA ainda disse que as duas nações têm suas divergências sobre sistemas de governo e economia e estão separadas por décadas de "profundas diferenças", mas ressaltou que é hora de olhar para frente.   

"Não vemos Cuba como ameaça aos Estados Unidos. Espero que minha visita inicie um novo capítulo nas relações bilaterais", disse.   

(ANSA)
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