Itália minimiza risco de zika nas Olimpíadas do Rio

SÃO PAULO, 21 MAR (ANSA) - Oitava colocada nas Olimpíadas de Londres, em 2012, com 28 medalhas (oito de ouro, nove de prata e 11 de bronze), a Itália vem ao Brasil em 2016 para no mínimo repetir o desempenho obtido na capital britânica.   


Ainda lutando para conseguir vaga em modalidades importantes, como o vôlei feminino, o país europeu deve desembarcar no Rio de Janeiro com uma delegação de peso, de olho não apenas nos pódios, mas também em 2024, quando Roma tentará sediar os Jogos Olímpicos de Verão pela segunda vez - a Rio 2016 será uma espécie de plataforma para a candidatura da "cidade eterna".   


Em entrevista à ANSA Brasil, o presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Giovanni Malagò, fala sobre suas expectativas para as Olimpíadas, o sonho de 2024 e os dois principais problemas que rondam o Rio de Janeiro neste ano: o vírus zika e a poluição aquática. Confira a conversa a seguir: ANSA - O problema do vírus zika preocupa o Coni? Serão adotadas medidas de prevenção para os atletas? Malagò - Como Comitê Olímpico Italiano, temos um instituto - o Instituto de Medicina e Ciência do Esporte - que é considerado de excelência, e os médicos sustentam que a situação está absolutamente sob controle. De qualquer modo, estamos monitorando a questão cotidianamente, em estreito contato com a Organização Mundial da Saúde [OMS] e o Comitê Olímpico Internacional [COI]. O instituto tem também um "Zika news", que é enviado a cada 15 dias aos nossos médicos federais.   


Independentemente da incontestável credibilidade dos técnicos, médicos e consultores de renome em matéria de doenças infecciosas que já se expressaram, gostaria de sublinhar que, quando acontecerem as Olimpíadas, o clima será diferente, desfavorecendo a disseminação do mosquito portador do vírus.   


Além disso, para acabar com qualquer dúvida, nos dirigimos também ao Instituto Spallanzani, de Roma, que é o principal centro na Itália para esse tipo de doença.   


ANSA - Algum atleta pode desistir dos Jogos por causa do zika? Malagò - Até hoje, não percebi medo ou resistência a competir no Brasil. Nos últimos dias, as nossas garotas e nossos rapazes dos saltos ornamentais e do tênis primeiro, e aquelas do nado sincronizado depois, estiveram tranquilamente no Rio, sem que tivessem qualquer problema. Nossos atletas estão tranquilos.   


ANSA - Os atrasos nas obras no Rio de Janeiro, assim como a poluição das águas, preocupam o Coni? Malagò - Também sobre isso estamos em contato direto com o COI.   


Confiamos naquilo que diz o Comitê Olímpico Internacional, assim como no Comitê Organizador, que é guiado por um grande presidente, Carlos Nuzman. Se eles dizem que os equipamentos previstos estarão funcionando na abertura dos Jogos, não podemos fazer outra coisa que não seja tomar conhecimento. Para a contaminação das águas vale o mesmo discurso: seguimos a linha do Comitê Olímpico Internacional. Não acredito que o COI queira colocar em perigo a saúde dos atletas, assim como nós não queremos. Se haverá competições naquelas águas, então quer dizer que serão garantidos todos os padrões de segurança.   


ANSA - Quais as projeções de medalhas da Itália para os Jogos? Malagò - A Itália, graças aos seus atletas e técnicos de alto nível, é uma excelência olímpica, a quinta potência em medalhas - de verão e inverno - em todos os tempos. Sabemos que no Rio encontraremos uma concorrência cada vez mais aguerrida e um programa que nos penaliza pesadamente porque, por exemplo, não terá o florete de equipe feminino e o sabre de equipe masculino [modalidades da esgrima], nos quais somos campeões mundiais.   


Apesar disso, acredito que podemos repetir o desempenho de Londres. Temos potencial para nos afirmarmos em modalidades que, nos últimos anos, nos viram conquistar posições importantes. A nossa delegação, tanto em termos numéricos quanto qualitativos, deve tomar ainda uma forma definitiva. Me refiro sobretudo às seleções de volêi feminino, basquete masculino e polo aquático, que ainda precisam se classificar. A delegação terá uma conotação diferente se pelo menos três dessas quatro equipes vierem ao Brasil. De qualquer modo, acredito que temos todas as cartas na manga para estarmos em cima.   


ANSA - Como a Itália pensa em aproveitar os Jogos do Rio para promover a candidatura de Roma para as Olimpíadas de 2024? Serão organizados eventos promocionais específicos? Malagò - Sem dúvidas, as Olimpíadas serão uma vitrine fundamental para alimentar o sonho de Roma. De fato, os resultados em campo serão os melhores ativos para a candidatura.   


Na abertura dos Jogos e na inauguração da Casa Itália, estará presente o nosso primeiro-ministro, Matteo Renzi, que assistirá também às partidas iniciais dos nossos atletas. Isso demonstra o forte envolvimento do governo, sem esquecer o apoio do presidente da República Sergio Mattarella, que estará na cerimônia de abertura das Paralimpíadas. Para 2024, nossa meta é fazer um projeto olímpico que redesenhe não apenas uma cidade, mas todo o país, e que deixe uma herança inestimável.   


Penso, em particular, nos nossos jovens: temos o dever de entregar-lhes um futuro mais claro, a oportunidade de realizar um sonho. A Rio 2016 nos permitirá explicar a nossa visão olímpica: uma candidatura sustentável e que tem raízes bastante fincadas na nossa história e uma forte ligação com os Jogos de Roma, em 1960 - que permanecem únicos no gênero -, mas que olha para o futuro. (ANSA)
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