(Análise) Com visita, Obama quer se aproximar da Argentina

BUENOS AIRES, 23 MAR (ANSA) - O presidente norte-americano, Barack Obama, inicia hoje, dia 23, uma visita oficial à Argentina, considerada um novo capítulo nas relações entre Washington e Buenos Aires.   

Obama chegou na madrugada de ontem de Cuba, onde realizou uma visita histórica nos últimos dias, e se reúne com o homólogo Mauricio Macri nesta manhã na Casa Rosada.   

Durante o encontro, serão assinados acordos nas áreas de segurança, ciências e tecnologia e de comércio, com o objetivo de atrair investimentos norte-americanos.   

A chanceler argentina, Susana Malcorra, declarou, como publicou o jornal local "La Nacion", que "estes acordos mostram um novo caminho de trabalho conjunto e implicam uma importante mudança na forma como nos relacionamos".   

A relação bilateral sofreu durante o governo de Cristina Kirchner, de orientação progressista, que se afastou dos Estados Unidos e se negou a pagar os chamados "fundos abutres", fundos detentores de títulos da dívida argentina que não aceitavam a reestruturação anunciada por ela. Macri, que assumiu o Poder em dezembro do ano passado, chegou a um acordo sobre o pagamento dos abutres, levantando elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI). Obama declarou recentemente, em entrevista à emissora "CNN", que, com Cristina, "tínhamos uma relação cordial, mas, no que diz respeito a suas políticas, era sempre contrária aos Estados Unidos".   

O líder norte-americano acrescentou que Macri "reconhece que estamos em uma nova era", pois seu objetivo é "abertura, transparência, competitividade e progresso" para os argentinos.   

Macri quer se reaproximar de Washington, assim como de outros países, a fim de captar investimentos estrangeiros e tentar tirar a nação da atual crise econômica. Nesta mesma linha, ele recebeu recentemente o premier italiano, Matteo Renzi, e o presidente francês, François Hollande, para tentar reaproximar os países e retomar as tratativas por um acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que esteve travado por anos por exigências do governo de Cristina. Obama é o primeiro presidente dos EUA a visitar o país em mais de dez anos. O último foi George W. Bush em 2005 durante a Cúpula das Américas em Mar Del Plata. Ditadura - A visita ainda coincide com o aniversário de 40 anos do início da última ditadura militar no país, considerada uma das mais sanguinárias da região. Calcula-se que 30 mil pessoas tenham sido mortas entre 1976 e 1983. O governo dos Estados Unidos deve anunciar a desclassificação de arquivos sobre a ditadura argentina, para tentar esclarecer os acontecimentos da época. No aniversário do golpe, em 24 de março, Macri e Obama participarão de uma homenagem às vítimas no Parque da Memória. Organizações e familiares de vítimas consideraram uma falta de respeito a presença de Obama no ato, pois Washington ajudou a orquestrar o golpe militar no final dos anos 1970.   

Obama, no entanto, seguirá para Bariloche, para descansar antes de retornar aos Estados Unidos, no horário que será realizada uma marcha na Praça de Maio em repúdio ao golpe e homenageando os mortos e desaparecidos. (ANSA)
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