Argentina passa por fase crítica, diz mãe da Praça de Maio

Por Alicia Rinaldi BUENOS AIRES, 23 MAR (ANSA) - No 40º aniversário do Golpe de Estado que instaurou a ditadura mais sangrenta da história da Argentina, o país passa por um momento "crítico" e "preocupante" para os organismos dos direitos humanos, disse Vera Jarach, uma das mães da Praça de Maio.   

Ex-jornalista da ANSA, ela é mãe de Franca Jarach, estudante desaparecida aos 18 anos em junho de 1976 e vítima dos chamados "voos da morte", quando presos políticos eram jogados de aviões pelos militares.   

Segundo Vera, o país passa por um "momento político muito crítico, uma espécie de encruzilhada" com o governo de Mauricio Macri, que é acusado de não dar a atenção devida aos grupos de direitos humanos. Além disso, ele não é tão próximo das associações das Avós e Mães da Praça de Maio, que fizeram parte ativa dos governos de Néstor e Cristina Kirchner.   

"Falam de reconciliação, de perdoar ... Quem vamos perdoar se nunca nos pediram perdão?", se questiona. Vera se refere a termos usados nos jornais próximos ao governo como "reconciliação" e "perdão".   

Pelo contrário, "quando os repressores foram julgados por crimes de lesa humanidade, reivindicaram seus atos e disseram que voltariam a os cometer".   

Obama - Desta forma, ela decidiu não participar do ato que será realizado amanhã em homenagem às cerca de 30 mil vítimas da ditadura, do qual participarão, além de Macri, o presidente de Estados Unidos, Barack Obama. "Os organismo de direitos humanos decidiram não acompanhar-los.   

Obama e Macri estão se apoiando mutuamente e nós, se formos, estaremos os apoiando também", declarou.   

Segundo ela, a visita do presidente dos EUA, após Washington ter ajudado a orquestrar o golpe, "causa uma sensação de provocação". Quando foi anunciada a presença de Obama, Vera explicou que sentiu tristeza. Arquivos da Ditadura - Sobre os anúncios da abertura de arquivos da ditadura por Washington e pelo Vaticano, ela disse desacreditar que os documentos "dos quais realmente precisamos" para ajudar a esclarecer as circunstâncias das mortes sejam entregues. "Nem a América do Norte nem o Vaticano vão fazer uma 'mea culpa'", diz.   

Além disso, ela recordou que a Itália também entregou documentos no passado, mas "eram nossas denúncias, nossos pedidos e nossas acusações". Holocausto - A militante de 88 anos, que deixou a Itália aos dez anos de idade para fugir das leis fascistas de Benito Mussolini, ainda disse que "o que aconteceu na Argentina, é muito diferente [do Holocausto]". "Um foi um genocídio racial e o outro político e ideológico, mas as consequências são muito parecidas", diz a ativista, que perdeu o avô, que se recusou a ir para a Argentina, em Auschwitz. (ANSA)
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