Braço direito de Renzi vira alvo da oposição após renúncia

ROMA, 01 ABR (ANSA) - Após a renúncia da ministra do Desenvolvimento Econômico da Itália, Federica Guidi, em meio a um escândalo de tráfico de influência, a oposição partiu para o ataque contra outra representante do governo de Matteo Renzi: a responsável pela pasta de Reformas Constitucionais e Relações com o Parlamento, Maria Elena Boschi, braço direito do primeiro-ministro.   

Boschi assinou a emenda incluída na Lei de Estabilidade de 2015 que levou à queda de Guidi por conta de uma suspeita de favorecimento às empresas do seu namorado, Gianluca Gemelli.   

"Boschi, um conflito de interesses ambulante, deve respeitar os italianos e se demitir", diz uma nota do Movimento 5 Estrelas (M5S), principal partido de oposição a Renzi.   

A sigla apresentará nos próximos dias uma moção de desconfiança contra todo o governo. Além disso, a legenda lançou uma campanha no Twitter com a hashtag "#BoschiDimettiti" ("Boschi, renuncie"). O pedido também encontrou eco no Força Itália (FI), partido conservador liderado por Silvio Berlusconi. "A notícia não é a demissão de Federica Guidi, a notícia é que a ministra Boschi não renunciou", declarou Renato Brunetta, líder do FI na Câmara dos Deputados.   

Até mesmo o escritor e jornalista Roberto Saviano, mais identificado com a esquerda, disse que o episódio joga "sombras" sobre a atuação da poderosa ministra para as Relações com o Parlamento. "Federica Guidi escolheu o caminho da demissão e isso permitirá que ela explique, provavelmente aos juízes, o sentido de suas palavras. Outra ministra, Maria Elena Boschi, deverá esclarecer no Parlamento se as tantas sombras que se adensam sobre seu papel institucional são apenas desafortunadas coincidências", escreveu em seu perfil no Facebook.   

Saviano também se refere ao caso do Banco de Etruria, instituição financeira resgatada pelo governo e que tinha Boschi entre seus acionistas e o pai da ministra, Pierluigi, como um de seus principais executivos.   

O escândalo - Guidi renunciou ao Ministério do Desenvolvimento Econômico na última quinta-feira (31), após ter sido flagrada em uma interceptação telefônica supostamente prometendo agir para favorecer as atividades empresariais de seu namorado, Gianluca Gemelli.   

Segundo a Promotoria de Potenza, no sul da Itália, ele cometeu tráfico de influência ao usar sua relação com a companheira para obter favores da petrolífera francesa Total. Para os investigadores, o empresário, que é dono de duas companhias do setor, queria ser incluído na lista de prestadores de serviços da multinacional, o que lhe renderia subcontratos milionários.   

Em troca, ele teria prometido a Giuseppe Cobianchi, dirigente da Total na Itália, convencer Guidi a inserir na Lei de Estabilidade de 2015 uma emenda que simplificasse a implantação do projeto Tempa Rossa, um grande depósito de petróleo situado na província de Potenza.   

O poço será explorado pelo grupo francês, que prevê produzir cerca de 50 mil barris por dia. "Vamos incluir no Senado, se estiver de acordo também a Maria Elena, aquela emenda que me fizeram tirar naquela noite. Se conseguirmos desbloquear Tempa Rossa, do outro lado tudo se moverá", disse Guidi em uma conversa telefônica com Gemelli interceptada pela justiça.   

Segundo informações de bastidores, Renzi ficou "furioso" por Guidi ter escondido do governo o potencial conflito de interesses envolvendo seu namorado e afirmou que a situação da agora ex-ministra é "indefensável". Quando retornar de sua viagem aos Estados Unidos, o premier deve assumir a pasta do Desenvolvimento Econômico interinamente.   

Renzi, desta vez em público, também declarou que Boschi assinou a emenda porque faz parte de suas funções como ministra para as Relações com o Parlamento. Ela própria se pronunciou nesta sexta-feira (1º) sobre o assunto e garantiu que apoiaria o artigo que favorece o projeto da Total novamente se fosse preciso.   

"A ministra para as Relações com o Parlamento, isto é, eu, por regulamento deve autorizar todas as emendas do governo. Tempa Rossa é um projeto estratégico para o país e prevê muitos empregos no Mezzogiorno [como é chamado o sul da Itália]. Eu o faria de novo amanhã",disse. Considerado uma "fedelissima" de Renzi, Maria Elena Boschi, de apenas 35 anos, é considerada o braço direito do primeiro-ministro e a mulher mais poderosa do governo. Sua função é reformar a Constituição italiana e lidar com uma das legislaturas mais difíceis da história recente do país. (ANSA)
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