Serviço secreto do Egito seguia italiano morto no Cairo

CAIRO, 01 ABR (ANSA) - O pesquisador italiano Giulio Regeni, encontrado morto no dia 3 de fevereiro, era seguido por agentes do serviço secreto do Egito, revelou o jornal "Al-Akhbar" nesta sexta-feira (01). As afirmações foram feitas com base no dossiê que os investigadores egípcios irão apresentar ao governo italiano no próximo dia 5 de abril.   

De acordo com a publicação, no "exaustivo documento" que "uma delegação da Segurança egípcia" irá entregar para o procurador de Roma, Giuseppe Pignatone, há ainda o resultado das análises feitas por órgãos egípcios sobre os numerosos encontros realizados pelo jovem italiano com ambulantes e sindicalistas do Cairo.   

O dossiê inclui também "muitos documentos e informações importantes, como fotos e toda a pesquisa sobre Regeni feita desde sua chegada ao Cairo até seu desaparecimento", ocorrido no dia 25 de janeiro, dia em que se celebrava o aniversário da revolução que ficou conhecida como Primavera Árabe.   

O jornal ainda informou que no relatório há dados sobre os relacionamentos profissionais e de amizade que o italiano criou durante o tempo que ficou no país.   

Se esse dossiê contiver, realmente, estas informações, será a primeira vez que as autoridades do Cairo reconhecerão que seguiam o pesquisador italiano. Desde que seu corpo foi encontrado, no dia 3 de fevereiro, o Egito nega qualquer envolvimento de seus agentes no sequestro e na morte de Regeni.   

As autoridades até chegaram a culpar uma gangue criminosa da capital como a responsável pelo crime, algo que não convenceu ninguém na Itália.   

A mídia internacional, especialmente a dos Estados Unidos, culpa o governo local pela morte do estudante, dizendo que ele foi confundido com um espião.   

Com as informações reveladas nos últimos dois meses, a morte de Regeni está ganhando cada vez mais traços de um assassinato político. O italiano estava no Cairo para elaborar uma tese acadêmica sobre a economia local e sindicatos independentes, O pesquisador também contribuía com o jornal comunista "Il Manifesto". Antes de sumir, ele chegou a enviar um artigo - publicado após sua morte -, pedindo para o diário usar um pseudônimo e acusando o governo de Abdel Fattah al-Sisi de cometer crimes e se manter no poder apenas pelo uso da força.   

(ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos