Veja quem são os italianos citados no 'Panama Papers'

ROMA, 04 ABR (ANSA) - A investigação "Panama Papers" ("Papéis do Panamá"), que vazou milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, especializado em abrir companhias offshore em paraísos fiscais, atingiu poderosos de todo o mundo, incluindo políticos, esportistas e empresários.   

Entre as personalidades envolvidas no escândalo estão cerca de mil italianos, com destaque para um dos executivos mais admirados do país, Luca di Montezemolo, ex-presidente da montadora de luxo Ferrari, atual mandatário da Alitalia, maior companhia aérea da Itália, e chefe do comitê da candidatura de Roma aos Jogos Olímpicos de 2024.   

Segundo os documentos da Mossack Fonseca, Montezemolo assinou no início de 2007 contratos que o indicam como beneficiário da Lenville, sociedade offshore sediada no Panamá. Na época, ele era presidente da Ferrari e teria operado uma conta da filial suíça do italiano Banco Intermobiliare.   

"Nem Montezemolo nem sua família possuem qualquer sociedade offshore", garantiram fontes próximas ao mandatário da Alitalia.   

Até o momento, o executivo não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Também estão implicados no "Panama Papers" as instituições financeiras Unicredit e Ubi, duas das maiores do país; o empreendedor foragido Giuseppe Donaldo Nicosia, investigado em Milão por fraude fiscal e falência fraudulenta; e o ex-senador Marcello Dell'Utri, ex-aliado de Silvio Berlusconi e condenado a sete anos de prisão por associação mafiosa.   

Outro que faz parte da lista de pessoas que usaram os serviços do Mossack Fonseca é o ex-piloto de Fórmula 1 Jarno Trulli, que aparece como acionista da offshore Baker Street, sediada nas ilhas Seychelles e criada com a ajuda do escritório de advocacia. Trulli teria sido levado aos panamenhos pelo Crédit Foncier, um dos institutos de crédito mais fortes de Mônaco.   

"A Baker Street é uma sociedade absolutamente declarada. Eu sou cidadão italiano, residente no exterior há 18 anos, certificado porque já sofri uma averiguação do fisco italiano. Declarei essa sociedade, por meio da qual faço desenvolvimento imobiliário e nada mais", garantiu o ex-piloto.   

Os arquivos do caso "Panama Papers" foram entregues por uma fonte anônima ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", que os repassou para o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês). O órgão confiou os documentos a cerca de 400 repórteres de 80 países. Na Itália, eles são divulgados com exclusividade pela revista "l'Espresso", que promete revelar novas informações ao longo dos próximos dias.   

A princípio, ter offshores em paraísos fiscais não é crime, desde que as sociedades sejam declaradas nos países de seus proprietários e não sirvam de lavanderia para dinheiro sujo.   

(ANSA)
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