Após morte de italiano, chanceler cobra cooperação do Egito

ROMA, 5 ABR (ANSA) - O chanceler italiano, Paolo Gentiloni, disse diante do Senado, que "iremos parar somente quando soubermos a verdade, a real e não a mais conveniente", sobre a morte do estudante Giulio Regeni no Egito no começo de fevereiro.   

O corpo do pesquisador de 28 anos foi encontrado com sinais de tortura, incluindo as duas orelhas mutiladas e duas unhas arrancadas em uma vala no Cairo no dia 3 de fevereiro. Roma reclama da falta de cooperação do Egito, após uma série de versões sobre o assassinato terem sido levantadas sem apresentação de provas.   

"A menos que exista uma mudança no passo, o governo está pronto para reagir, adotando medidas imediatas e proporcionais", acrescentou, em pronunciamento realizado nesta terça-feira, dia 5.   

Segundo veículos de imprensa italianos, o governo pode chamar seu embaixador no Cairo para consultas ou até mesmo impor sanções econômicas contra o Cairo caso o país continue resistindo a cooperar.   

De acordo com Gentiloni, os documentos enviados pelas autoridades do Cairo a Roma no começo de março não contêm dados sobre os telefonemas de Regeni e um vídeo dele circulando no metrô da capital egípcia, duas evidências requisitadas pelos procuradores italianos. Para tentar elucidar o assassinato, as investigações estão sendo realizadas por equipes tanto do Egito como de Roma.   

O chanceler explicou que "importantes" reuniões serão realizadas no final desta semana em Roma com a delegação do Egito que podem "ser decisivas para o desenvolvimento das investigações." Está programado para os dias 7 e 8 de abril a apresentação de um dossiê com mais de duas mil páginas sobre o caso.   

Para o ministro, "o assassinato de Regeni balançou a consciência de todo o país, pois a vida de um italiano exemplar foi morto".   

Inicialmente, a morte de Regeni era tida como crime comum, mas, aos poucos, começou a ganhar contornos de assassinato político, colocando à prova as boas relações entre Itália e Egito. O pesquisador estava no Cairo para uma tese acadêmica sobre a economia local e sindicatos independentes, mas também contribuía com o jornal comunista italiano "Il Manifesto". Antes de morrer, ele chegou a enviar um artigo sobre o tema, pedindo para o diário usar um pseudônimo. Além disso, pessoas próximas a Regeni alegaram que ele estava com "medo" depois de ter sido fotografado em uma assembleia sindical no Egito. A suspeita é que a polícia o tenha confundido com um espião, uma vez que ele participava ativamente da vida dessas entidades independentes, que são proibidas pelo governo. Ele era natural de Fiumicello, no norte da Itália, e foi enterrado dia 12 de fevereiro, em uma cerimônia com mais de 3 mil pessoas. (ANSA)
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