Presidente da Fifa é citado no caso 'Panama Papers'

LONDRES, 05 ABR (ANSA) - O nome do presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi citado nos documentos da investigação "Panama Papers". Segundo o jornal "The Guardian", o cartola ítalo-suíço teve um papel em acordos relativos a direitos de TV com sociedades offshore em paraísos fiscais.   


De acordo com o diário britânico, os arquivos datam da época em que Infantino era diretor de serviços legais da Uefa, entidade que serviu de plataforma para sua candidatura ao comando da Fifa. Os documentos revelam que, em 2006, o cartola assinou um acordo para vender os direitos de transmissão de torneios europeus a uma empresa argentina chamada Cross Trading.   


Em seguida, essa companhia os repassou para a emissora equatoriana "Teleamazonas" por um valor três ou quatro vezes maior. Segundo o "Guardian", a Cross Trading é uma subsidiária da Full Play, firma em nome de Hugo Jinkis, acusado por promotores norte-americanos de ter oferecido milhões de dólares em propinas a cartolas para obter direitos de transmissão e marketing de competições.   


Os arquivos do caso "Panama Papers" mostram que a Cross Trading tinha como sede o paraíso fiscal de Niue, situado no sul do oceano Pacífico, e pagou US$ 111 mil para transmitir com exclusividade a Liga dos Campeões no Equador. Depois, vendeu os direitos à Teleamazonas por US$ 311 mil.   


Segundo a Uefa, era impossível saber na época que Jinkis estava envolvido no esquema de corrupção na Fifa (atualmente ele está em prisão domiciliar na Argentina), e a negociação dos direitos televisos foi resultado de um "processo aberto e competitivo".   


"Não há nenhum indício de que qualquer membro da Uefa tenha recebido propina, em relação a esse pequeno acordo ou a qualquer outra transação comercial", disse a entidade, citada pelo jornal britânico.   


No entanto, o que levanta questionamentos é que, meses atrás, a Uefa havia garantido que nunca assinara qualquer documento com pessoas envolvidas no maior escândalo de corrupção do futebol mundial, que causou a queda do então presidente da Fifa, Joseph Blatter. O contrato com a empresa de Hugo Jinkis contraria essa afirmação.   


Infantino foi eleito para suceder Blatter em fevereiro de 2016, com a promessa de instalar uma "nova era" e aumentar a transparência da entidade. Até o momento, ele não comentou sua aparição no caso "Panama Papers".   


Os arquivos do escândalo foram vazados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca e entregues por uma fonte anônima ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", que os repassou para o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês). O órgão confiou os documentos a cerca de 400 repórteres de 80 países, que descobriram offshores ligadas a políticos, esportistas, artistas e empresários de todo o mundo. Até o momento, a principal vítima do escândalo é o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, que teve de renunciar após a revelação de que ele mantinha uma empresa não declarada em um paraíso fiscal. (ANSA)
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