Estudo italiano mostra a evolução do grão de trigo

ROMA, 6 ABR (ANSA) - Já é sabido que o melhor macarrão é o feito com grano duro (grão duro), ou seja um tipo de trigo que tem menos glúten e dá origem a uma massa mais firme, maleável e que que chega no ponto certo de maneira mais fácil e rápida. Por outro lado, o melhor trigo para se fazer o famoso pão francês, por exemplo, é o comum, que faz o alimento crescer e não o deixa muito duro.   


Pensando nos diferentes tipos de grãos desse cereal e em como eles surgiram, uma equipe de pesquisadores comandada pelo italiano Roberto Papa, da Universidade Politécnica das Marcas, realizou um estudo com o objetivo de explicar a evolução do trigo e da suas espécies. O trabalho foi publicado na "Molecular Biology and Evolution", revista científica da Universidade de Oxford, no Reino Unido.   


Graças a um sistema desenvolvido no Conselho para a Pesquisa em Agricultura (Crea) que consegue analisar diversos tipos de moléculas juntas, como ácidos graxos, açúcares e aminoácidos, os geneticistas puderam pesquisar 51 variedades diferentes de grãos de trigo comum, farro (tipo selvagem) e grano duro de locais distintos.   


Dessa forma, os estudiosos conseguiram identificar duas etapas cruciais para a história do trigo, que mostram os impactos que a presença do homem teve na sua evolução. A primeira delas, por exemplo, se deu na época que o homem começou a cultivar o grão.   


"A primeira [etapa] aconteceu há cerca de 12 mil anos, no período Neolítico, com a passagem do farro selvagem ao grão normal e cultivado, onde se percebeu uma redução dos ácidos graxos. A nossa hipótese é que o aumento da produção aconteceu em detrimento da quantidade de ácidos graxos presentes", afirma o estudo. Assim, muitas variantes genéticas que continuavam na sua forma selvagem foram perdidas.   


Já a segunda etapa aconteceu há 10 mil anos e "foi do grão comum de trigo ao grano duro, o qual usamos para fazer macarrão. Nessa segunda fase, notamos uma mudança do metabolismo dos aminoácidos talvez por que, segundo nossas hipóteses, a planta foi cultivada em um lugar diferente, mais rico [no elemento químico] azoto", explica a pesquisa.   


Além disso, o trabalho ainda explicitou que variedades selvagens e locais podem ser utilizadas para ajudar a melhorar a qualidade nutritiva do trigo. (ANSA)
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