França pede que Panamá volte à lista de paraísos fiscais

ROMA, 06 ABR (ANSA) - A França pedirá à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a reinclusão do Panamá na lista dos paraísos fiscais após as revelações do escândalo "Panama Papers" ("Papéis do Panamá"). O ministro das Finanças da França, Michel Sapin, informou em entrevista à "Europe 1" que seu governo voltará a considerar o país como "não cooperativo" nas questões financeiras e fiscais - fato que havia sido revogado em 2012 após um acordo de combate biltareal à evasão fiscal. Ainda na França, o jornal "Le Monde" revelou que o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn também estaria envolvido em um "tráfico de dinheiro" com uma sociedade offshore. Segundo a publicação, Strauss-Kahn teria aberto e gerenciado 31 empresas que teriam sedes na Suíça, Luxemburgo e Hong Kong. O caso, revelado no último domingo (03), mostrou mais de 240 mil empresas offshores abertas pelo escritório panamenho Mossack Fonseca e que, em sua maioria, seriam empresas abertas para sonegar impostas, lavar dinheiro e ocultar patrimônio. Entre os "denunciados", estão 12 chefes ou ex-chefes de estados e centenas de políticos, reis e até ditadores. Ontem (05), por ter seu nome ligado aos documentos revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ), o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, renunciou ao cargo.   

Em sua defesa, um dos sócios do Mossack Fonseca, Ramon Fonseca, voltou a afirmar que sua empresa foi vítima de um "ataque hacker". "Nós estamos impressionados sobre o que ninguém fala: 'Um crime foi cometido aqui'", disse o empresário à "Reuters".   

Já à "AFP", Fonseca destacou que "o mundo está aceitando que a privacidade não é um direito humano".   

Outro que se defendeu das acusações foi o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko. Em declarações à imprensa local, ele afirmou que as empresas offshores abertas por ele não tinham como objetivo "sonegar impostos" e que elas foram declaradas corretamente às instituições responsáveis em seu país.   

A lista de envolvidos no escândalo também envolve atletas e ex-atletas, dirigentes esportivos, celebridades e artistas do mundo todo.   

Entre os novos nomes envolvidos no "Panama Papers", está o cantor brasileiro Roberto Carlos - acionista da offshore Happy Song, criada em 2011 pela Mossack Fonseca - e o escritor peruano Mario Vargas Llosa - que abriu uma empresa offshore em 2010 ao lado de sua esposa, Patricia, e que foi fechada antes dele receber o prêmio Nobel de Literatura, segundo o jornal "El Confidencial".   

Em sua defesa, a assessoria de Roberto Carlos afirmou que a Happy Song está declarada ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda.   

Já o diretor espanhol Pedro Almodóvar, que também teve seu nome envolvido no escândalo, cancelou os eventos promocionais de seu novo filme "Julieta" em seu país natal, informou a produtora El Deseo. Quem também falou sobre o caso foi a porta-voz do ex-jogador Clarence Seedorf, Deborah Martin. À ANSA, a representes afirmou que "não há nenhuma ligação entre Seedorf e revenda seus contratos e nem um envolvimento com esse escândalo". Para Martin, a ligação com o nome do ídolo do Milan é fruto de "sensacionalismo" e não tem nenhum fundo de verdade. (ANSA)
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