Itália comemora avanços políticos do governo na Líbia

ROMA, 06 ABR (ANSA) - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni, comemorou nesta quarta-feira (06) os avanços ocorridos na política da Líbia e o possível entendimento político após cinco anos.   

"Os recentes avanços na Líbia são encorajantes", disse o chanceler ao comentar a "renúncia" do governo de Trípoli - que era liderado por grupos opositores ao Congresso Geral Nacional (GNC), reconhecido pela comunidade internacional, e que estava sediado na cidade de Tobruk. Segundo o italiano, reconhecer o primeiro-ministro Fayez al-Sarraj é algo que "vai na direção desejada de recompor o quadro institucional recolocando-o no âmbito do Acordo Político firmado em Skhirat e de colocar à frente de tudo o objetivo de uma Líbia unida". Os comentários de Gentiloni ocorreram horas após um dos principais líderes opositores, o general Khalifa Haftar, dizer que não formaria um novo governo militar e que apoiará "qualquer acordo de governo que tenha a confiança do Parlamento". "É necessário que o Exército fique às margens da vida política", disse Haftar ressaltando que a tomada de poder e a "divisão da Líbia" são coisas "desonrosas". Na noite de ontem (05), cerca de 70 parlamentares do GNC declararam apoio a al-Sarraj e a criação do órgão de governo, agora chamado de "Conselho de Estado". Essa é a primeira vez desde 2011 que o país tenta formar um governo de unidade nacional. Naquele ano, houve a revolução da Primavera Árabe e a morte do ditador Muammar Kadafi. Os dois fatos levaram a nação ao caos total por não ter um Poder que conseguisse unir o país. Um ano após a queda do regime e em pleno processo de reconstrução, ocorreram as primeiras eleições livres que pareciam levar os líbios a uma verdadeira democracia.   

Mas, os confrontos ainda remanescentes e a violência entre várias milícias e os ex-rebeldes que não abandonaram as armas, complicaram a situação cada vez mais. No verão de 2014, o país entrou em colapso total com a divisão entre as instituições políticas - Tobruk e Trípoli - e a guerra entre as milícias de Zintan e Misurata pelo controle da capital.   

Para piorar o cenário, a área de Sirte - ao norte - caiu nas mãos dos terroristas do EI onde houve a imposição de um tipo de emirado baseado na rígida interpretação da sharia (lei islâmica). Em outubro do ano passado, os líderes dos dois parlamentos e a ONU anunciaram ter chegado a um acordo político para o país e, desde dezembro, as partes estavam tentando formar um governo único para a Líbia. Há cerca de um mês, o nome de al-Sarraj foi escolhido por representantes de ambos os lados políticos da Líbia, além da comunidade internacional e da ONU. Agora, o novo governo precisa ter o voto de confiança do CGN para poder começar a trabalhar, de fato.   

A Itália tem muito interesse na questão pela Líbia ser sua ex-colônia e ficar territorialmente muito próxima ao sul do país. O país é ainda o principal porto de partida de imigrantes ilegais para a Itália. (ANSA)
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