David Cameron admite que teve participação em offshore

LONDRES, 07 ABR (ANSA) - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, admitiu nesta quinta-feira (7) que tinha uma participação no fundo offshore criado por seu pai, Ian, morto em 2010, e revelado pela investigação "Panama Papers", que vazou mais de 11 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, especializado em abrir empresas em paraísos fiscais.   

Ian Cameron, que fez fortuna como corretor de ações e investidor, era diretor de uma offshore no Panamá chamada Blairmore Holdings Inc., que funcionou entre 1982 e 2010.   

Oficialmente, o pai do primeiro-ministro apareceu como executivo da companhia apenas em 1989, mas arquivos do Mossack Fonseca indicam que ele foi "crucial" para sua formação, no início dos anos 1980.   

Em julho de 1998, o fundo no paraíso fiscal caribenho tinha cerca de US$ 20 milhões em ativos. A offshore foi registrada por um banco nas Bahamas, o SG Hambros Bank, filial do francês Société Générale. Outro documento diz que ela estava "isenta de qualquer tributação sobre rendimentos ou ganho de capital" e que não estava sujeita a "impostos de renda ou corporativos sobre seus lucros no Reino Unido".   

Além disso, segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (Icij, na sigla em inglês), a Blairmore manteve até 2006 uma "grande quantidade" de ações ao portador, ou seja, que não apresentam o nome do proprietário. Esse tipo de papel é proibido no Brasil e em outros países para coibir crimes de lavagem de dinheiro e evasão fiscal.   

Em entrevista ao programa "ITV News", David Cameron contou que tivera no passado 5 mil ações da offshore, acrescentando que as vendeu antes de se tornar primeiro-ministro, no início de 2010, por cerca de 30 mil libras esterlinas. Além disso, ele garantiu ter pagado impostos sobre rendimentos - mas não sobre ganhos de capital, devido à quantidade do lucro arrecadado. "Fui objeto de todas as taxações britânicas", disse o chefe de governo, prometendo tornar pública sua última declaração de renda.   

Cameron também destacou que não tem "nada a esconder" e que sente "orgulho" do seu pai, que "não suportaria ver seu nome jogado na lama". Por fim, ressaltou que nem ele e nem sua família se beneficiaram do fundo offshore. A explicação parece não ter convencido todo mundo, principalmente no âmbito do Partido Trabalhista, que faz oposição ao primeiro-ministro.   

"Cameron teve seis anos para ser honesto com o Parlamento e os cidadãos. Ele falhou. Vá embora agora, hipócrita", escreveu no Twitter o deputado John Mann, membro da comissão do Tesouro da Câmara dos Comuns. Já o vice-líder da legenda, Tom Watson, foi mais comedido. "Ele pode ter de renunciar, mas ainda é muito cedo", declarou o político esquerdista à "Sky News".   

A investigação "Panama Papers" ("Papéis do Panamá") vazou milhões de documentos do escritório Mossack Fonseca, especializado em abrir companhias offshore em paraísos fiscais, e atingiu poderosos de todo o mundo, incluindo políticos, esportistas e empresários.   

Os arquivos foram entregues por uma fonte anônima ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", que os repassou para o ICIJ. O consórcio confiou os documentos a cerca de 400 repórteres de 80 países, que estão divulgando as informações aos poucos. (ANSA)
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