Estilista Valentino é citado em escândalo 'Panama Papers'

ROMA, 07 ABR (ANSA) - O estilista Valentino Garavani, o ator e diretor Carlo Verdone e a atriz Barbara D'Urso são os novos nomes de italianos envolvidos no escândalo conhecido como "Panama Papers" ("Papéis do Panamá"), segundo o jornal "L'Espresso".   

Em matéria publicada em seu site, o periódico informou nesta quinta-feira (07) que publicará amanhã (08), na edição que vai às bancas, uma lista com 100 nomes de cidadãos do país que estão envolvidos no caso - e que se juntam ao ex-presidente da Ferrari e atual mandatário da Alitalia, Luca Di Montezemolo, ao ex-piloto de Fórmula 1 Jarno Trulli e ao ex-senador do Força Itália Marcello Dell'Ultri.   

Valentino teria aberto duas empresas offshore, ao lado de seu sócio, Giancarlo Giammetti, nas Ilhas Virgens Britânicas. Já Verdone teria uma offshore aberta nas Ilhas Seychelles. Segundo nota divulgada por seu advogado, o ator ficou "surpreso ao ser relacionado com uma empresa offshore" e que "não tem ideia dos motivos pelos quais ela foi constituída".   

Já os advogados de D'Urso confirmaram que ela tinha a offshore e esclareceram que a "sociedade em questão foi aberta ao fim de uma operação imobiliária que D'Urso buscava fechar no exterior, em uma operação que acabou não sendo concretizada. A empresa, consequentemente, sempre se manteve inativa e depois oficialmente fechada em 2012".   

Ainda na Itália, Montezemolo voltou a se defender e a negar que tem algo relacionado com o "Panama Papers".   

"Na questão sobre a empresa panamenha e as contas associadas ao meu nome [...] posso aqui confirmar que não possuo nenhuma empresa offshore, nem alguma conta no exterior e, sobretudo, que não cometi nenhum ato ilícito", disse o italiano em uma reunião da diretoria da Unicredit.   

O "L'Espresso" é o jornal italiano que faz parte da investigação divulgada em nível mundial pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) no último domingo (03). Em uma análise mundial, repórteres de 78 países estão divulgando, aos poucos, os dados de mais de 11,5 milhões de documentos relacionados a 240 mil empresas offshores abertas pela sociedade Mossack Fonseca.   

Segundo os primeiros dados apresentados, parte dessas empresas está envolvida em esquemas de fraude fiscal, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. Os documentos revelados até o momento, já mostraram a ligação a empresas offshores de 12 chefes ou ex-chefes de Estado mundiais. Entre os citados, estão pessoas próximas ao presidente russo, Vladimir Putin, ao líder chinês, Xi Jinping, ao ex-premier da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, ao rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdulaziz AL-Saud, ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, e ao primeiro-ministro britânico, David Cameron.   

- Panamá anuncia mudanças: Após o escândalo, o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, anunciou mudanças no setor financeiro de offshore. Segundo um pronunciamente, o país criará um "comissão independente de especialistas nacionais e internacionais" para melhorar a transparência no setor.   

O novo órgão irá examinar as práticas realizadas por sociedades que têm como missão abrir essas offshores e propor medidas de melhorias em "estreita parceria" com as entidades financeiras e de transparência do mundo.   

A medida foi anunciada um dia após a França pedir para que o país voltasse para a lista de "paraísos fiscais" da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). (ANSA)
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