Entrevista - Peruanos temem que Keiko reviva fujimorismo

Por Sarah Germano SÃO PAULO, 08 ABR (ANSA) - Cinco dias antes das eleições presidenciais no Peru, milhares de pessoas saíram às ruas de todo o país para lembrar o "auto-golpe" imposto por Alberto Fujimori em 5 de abril de 1992, que deu início a um governo autoritário, acusado de não respeitar os direitos humanos.   

Neste ano o fantasma da candidatura de sua filha Keiko à Presidência assombrou os manifestantes, que também são contrários a sua eleição, com medo que ela traga o fujimorismo de volta. Segundo o cientista político peruano Pedro David Montes Mireles, para essa parcela da população fica claro o vínculo que Keiko mantém com antigos apoiadores de seu pai, mesmo que ela tente se separar da figura do ex-presidente em sua campanha.   

"Não resta dúvida que Keiko é uma expressão, uma continuidade, do que foi o regime de Alberto Fujimori", explicou o cientista político. Enquanto a possível continuidade do governo Fujimori afasta muito eleitores, o mesmo motivo atrai os antigos apoiadores do ex-mandatário, que cumpre pena de 25 anos de prisão por corrupção e violações dos direitos humanos.   

"A polarização que se dá hoje no Peru é basicamente por essa identificação. Quem vota em Keiko reconhece que ela tem o apoio não somente do pai, mas de toda a estrutura que o pai conseguiu construir e que de alguma forma sobreviveu, sempre na expectativa de voltar ao Poder".   

Mireles lembra que o fujimorismo, ao longo do período em que Fujimori esteve no poder, entre 1990 e 2000, foi claramente autoritário, realizando perseguição a opositores, violando os direitos humanos, restringindo as garantias fundamentais, além de montar uma rede de condução do Estado em benefício do projeto político de dominação idealizado por ele, em aliança com o comando das Forças Armadas, para se perpetuar no poder, "como uma agrupação claramente mafiosa". Essas são conclusões da Comissão da Verdade que analisou os crimes realizados no país.   

"O fujimorismo tem mais uma vez a oportunidade, como uma estrutura social e política, de voltar e se instalar e tomar conta do Estado, favorecendo essa rede em torno desse projeto autoritário", destaca o cientista político. Todas as pesquisas de intenção de voto mostram Keiko como favorita, apesar de se acreditar em um possível segundo turno, provavelmente com o economista e ex-ministro Pedro Pablo Kuczynski.   

Em termos econômicos, ele e Keiko são os candidatos mais afinados, defendendo um plano neoliberal sem maior participação do Estado e aliado aos interesses de Washington. "O projeto de Kuczynski, segundo suas declarações, seria afinado com os interesses geopolíticos dos EUA, mas não impõe o mesmo medo de mudanças política como Keiko", conclui Mireles. (ANSA)
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