Após Panama Papers, Cameron propõe lei contra evasão fiscal

ROMA, 11 ABR (ANSA) - O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, se defendeu nesta segunda-feira (11) das acusações sobre sua ligação com uma empresa offshore de seu pai, revelada pelo escândalo "Panama Papers", e propôs uma nova lei contra a evasão fiscal em seu país.   

Prometendo uma "vigorosa" ação do governo no combate à fraude fiscal em nível internacional, Cameron propôs uma nova punição àquelas empresas que facilitam a evasão - como no caso da Mossack Fonseca - e um novo acordo para mostrar maior transparência com alguns territórios ultramarinos dos britânicos, que operam como paraísos fiscais.   

O escândalo "Panama Papers" não mostrou apenas empresas offshores com sede no país que dá nome ao caso, mas também nas Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Cayman, sendo que ambas são territórios ultramarinos do Reino Unido.   

Sobre as cotas que tinha na offshore, Cameron afirmou que as vendeu antes de assumir seu atual cargo "para evitar um conflito de interesses". Nos dados apresentados, o britânico apresentou que adquiriu as cotas por cerca de 12,5 mil libras esterlinas em 1997, tendo as vendido em 2010 por cerca de 31,5 mil libras esterlinas.   

Além disso, o premier apresentou seu imposto de renda aos parlamentares como "prova" de que havia vendido as ações da offshore de seu pai, Ian, falecido em 2010. Segundo o primeiro-ministro, seu pai sofre acusações "ofensivas e profundamente falsas".   

Ian Cameron, que fez fortuna como corretor de ações e investidor, era diretor de uma offshore no Panamá chamada Blairmore Holdings Inc., que funcionou entre 1982 e 2010.   

Oficialmente, o pai do primeiro-ministro apareceu como executivo da companhia apenas em 1989, mas arquivos do Mossack Fonseca indicam que ele foi "crucial" para sua formação, no início dos anos 1980. Em julho de 1998, o fundo no paraíso fiscal caribenho tinha cerca de US$ 20 milhões em ativos. A offshore foi registrada por um banco nas Bahamas, o SG Hambros Bank, filial do francês Société Générale. Outro documento diz que ela estava "isenta de qualquer tributação sobre rendimentos ou ganho de capital" e que não estava sujeita a "impostos de renda ou corporativos sobre seus lucros no Reino Unido". O envolvimento do premier no caso provocou um protesto neste domingo (10) com centenas de pessoas pedindo a renúncia de Cameron. (ANSA)
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