Como sorveteria italiana salvou judeus na Hungria na 2ª GM

Por Massimo Lomonaco ROMA, 11 ABR (ANSA) - A inauguração de uma sorveteria italiana na cidade de Budapeste, na Hungria, no outono de 1944, em meio à fúria do partido fascista e anti-semita húngaro Cruz Flechada e das forças nazistas, representou uma esperança para a vida de muitos judeus que fugiam dos horrores do Holocausto.   


No depósito da loja, foram muitas as pessoas que conseguiram se salvar graças à determinação e à coragem do proprietário, um italiano da pequena cidade de Campagnola Emilia chamado Francesco Tirelli que, em 2008, foi nominado ao Yad Vashem, a Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto.   


A história de Tirelli foi contada pela primeira vez por Angiolino Castellani, um professor da cidade romanhola que teve contato com os sobreviventes e que escreveu sobre isso em outubro de 2014 na revista "Ricerche Storiche".   


O italiano (1898 - 1954), deixando a família na Itália, se estabeleceu em Budapeste durante os anos de guerra e abriu uma pequena sorveteria. Foi no local, no momento ápice da pressão anti-semita com as deportações dos judeus húngaros até o campo de concentração de Auschwitz, que várias pessoas conseguiram refúgio.   


Na história contada pelo Yad Vashem e retomada por Castellani, Tirelli organizou "algumas 'casas de salvamento' para os judeus.   


Algumas delas, de capacidade de 15 a 20 pessoas, eram escondidas no depósito da loja e os húngaros dormiam nas suas prateleiras".   


Ainda segundo o professor, o sorveteiro visitava todos os dias "os seus protegidos nos esconderijos, levando para eles comida e se ocupando das suas necessidades sanitárias".   


Ainda vivos, alguns dos judeus que se abrigaram no estabelecimento, como Chaim Meyer e Chana Hedwig Heilbrun, que na época tinha seis anos e que no pós-guerra foi a primeira a se posicionar a favor de Tirelli, também testemunharam para o Yad Vashem que o italiano conseguia obter alguns passaportes falsos para os refugiados.   


A história termina com o final da guerra, quando o sorveteiro volta para a sua cidade natal e depois vai morar na Suíça, onde os negócios não deram certo.   


Até hoje, os húngaros que se refugiaram na sorveteria estão procurando pelos descendentes do italiano para agradecer por ele lhes ter salvado a vida. Além disso, a diretoria do Yad Vashem também quer encontrá-los para poder fazer uma homenagem ao homem cuja impressionante história ajudou centenas de pessoas. O próprio Meyer procurou o advogado Beniamino Lazar, do Comitati per gli Italiani all' Estero, em Israel, (Comites Italia), para pedir para a embaixada italiana em Tel Aviv procurar os parentes de Tirelli para poder assim agradecê-los.   


Segundo apurações feitas pela ANSA, ao menos um dos três filhos do italiano, Elio, mora ainda na província de Piacenza, na Itália. No entanto, o filho de Tirelli não quis falar sobre o pai e nem dar uma entrevista. (ANSA)
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