Presidente egípcio diz que seus agentes não mataram italiano

CAIRO, 13 ABR (ANSA) - O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, afirmou nesta quarta-feira (13) que o serviço secreto de seu país não matou o pesquisador italiano Giulio Regeni, mas que o ato foi cometido por "pessoas malvadas". "Nós, os egípcios, criamos um problema com o assassinato do jovem homem italiano", afirmou o presidente de acordo com o jornal "Daily News Egypt".   

No encontro, que contou com a presença de líderes de partidos, representantes dos direitos humanos e da imprensa, al-Sisi disse ainda que alguns veículos de comunicação foram os responsáveis pela crise diplomática.   

"Precisamos estar atentos com os boatos e as acusações por parte de pessoas em volta de nós, nós, os egípcios, que transmitiram e publicaram estas acusações e estes boatos", ressaltou.   

O mandatário voltou a lembrar os "laços" de união com a Itália e disse que as relações "são muito privilegiadas" com os italianos porque eles foram os primeiros a ficar ao lado do governo egípcio "após o dia 30 de junho".   

A referência foi sobre uma equipe diplomática italiana ter sido a primeira diligência internacional a ir para o país após a revolução da Primavera Árabe, que levou à queda do então presidente Mohamed Morsi.   

"Quero dizer para vocês que estamos enfrentando este problema da maneira mais transparente. Quero lembrar que o procurador-geral está seguindo pessoalmente as investigações e isto significa que o caso está no topo da agenda das autoridades judiciárias", ressaltou.   

O caso da morte de Giulio Regeni aparentava ser, no início, um assassinato comum. O estudante, que estava no Cairo para fazer uma pesquisa sobre a política local e a atuação de sindicatos - que são proibidos - após a Primavera Árabe, desapareceu no dia 25 de janeiro.   

Seu corpo foi encontrado sem vida no dia 3 de fevereiro, em uma vala em uma estrada deserta no Cairo, com sinais de tortura e sem parte das roupas. A mídia egípcia, então, ressaltou que as lesões encontradas pela autópsia mostravam um método de tortura "muito utilizado" pelo serviço secreto do país, já que o pesquisador estava sem parte de suas orelhas e sem duas unhas.   

Já a mídia internacional, especialmente os veículos norte-americanos, acusam o governo de al-Sisi de ter assassinado Regeni por acreditar que ele fosse um espião - já que a postura do italiano tendia a contestar as práticas adotadas pela polícia do país contra os sindicalistas e os trabalhadores.   

Desde então, duas equipes de investigadores atuam no caso: uma no Egito e outra liderada pela Procuradoria de Roma. Porém, na semana passada, após uma reunião entre os dois times, a cooperação foi suspensa e a Itália convocou seu embaixador no Cairo para consultas. A medida foi tomada pelos italianos por considerarem que o dossiê com mais de duas mil páginas sobre a morte de Regeni trazia apenas informações conhecidas e que o documento não tinha diversos dados solicitados por Roma.   

Ontem (12), representantes da investigação do Egito chegaram a cogitar repassar para os italianos os registros telefônicos do celular do pesquisador, que poderiam mostrar em qual ponto do Cairo ele desapareceu.   

Segundo uma análise feita através da mídia e de fontes próximas à investigação, o jornal italiano "La Repubblica" afirmou que o italiano desapareceu quando estava em um restaurante do Cairo. Para o periódico, uma matéria da mídia egípcia naquele dia dando conta do desaparecimento de um estrangeiro - que nunca foi identificado - seria a prova que falta para mostrar que a polícia egípcia prendeu Regeni.   

No dia 25 de janeiro, eram realizadas várias celebrações no Cairo para lembrar os cinco anos da Primavera Árabe e, de acordo com o jornal, os policiais e os agentes secretos do governo egípcio estavam monitorando as atividades "conspiradoras" naquele dia no mesmo local da suposta detenção de Regeni. (ANSA)
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