Cardozo pede novo relatório de impeachment de Dilma

SÃO PAULO, 14 ABR (ANSA) - O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, explicou em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (14) os motivos que levaram a Advocacia-Geral da União (AGU) a impetrar um pedido de nulidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.   


Para Cardozo, houve um "alargamento" do processo que não permitiu uma "plena defesa" da presidente, já que a defesa "se preparou para dois pontos: a abertura de seis decretos e a chamada situação decorrente do plano Safra, que vulgarmente é chamada de pedaladas fiscais do ano de 2015".   


Segundo o ministro, é preciso "refazer" o processo para que se saiba "exatamente" do que Dilma está sendo acusada. Relembrando o acolhimento do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, Cardozo afirmou que nenhuma parlamentar questionou a aceitação parcial da denúncia.   


"Estou lutando por um direito que acho justo. O critério usado pelos deputados não vem a tona, mas eu não pude fazer defesa do que estava sendo acusado. Por exemplo, a Lava Jato, não sei o que é essa acusação", ressaltou.   


Explicando o pedido, o advogado destacou que não está querendo a anulação do processo total, mas que o governo está pedindo que sejam analisados os "vícios" que começaram a serem vistos após a delação de Delcídio do Amaral (sem partido) e a participação dos denunciantes na comissão especial de impeachment.   


Para o ministro, essa presença dos juristas causou uma "contaminação" na opinião dos deputados, já que os denunciantes falaram sobre o processo original - que não foi incluído completamente no processo. "Isso foi um problema para a defesa porque nós só nos preocupamos em defender os dois pontos da questão", reforçou. Ainda sobre o tema, ele ressaltou que foi feita uma solicitação para abertura de nova defesa, mas a questão não foi aprovada.   


Cardozo ainda informou que a debandada de partidos políticos não influenciou "em nada" a decisão da AGU, pois segundo ele, o único momento para impetração "era esse" porque o relatório foi aprovado nos últimos dias. "Não estamos discutindo questão de poder, a justa causa para o impeachment em si, mas os vícios do processo", ressaltou.   


O advogado-geral da União ainda voltou a criticar o relatório elaborado pelo deputado Jovair Arantes porque, segundo Cardozo, ele afirmou que falaria apenas sobre as duas acusações mas que, ao defender o documento, o relator informou que tomou sua decisão pró-impeachment "não apenas nos seis decretos".   


"Uma pessoa tem que saber do que está sendo acusada para poder se defender. Nós achamos que eram aqueles dois pontos e nos defendemos deles. Alertamos que havia um alargamento, mas não houve uma nova defesa", destacou.   


Ao ser questionado pelos jornalistas se, caso essa medida seja aprovada, serão impetradas outras ações, Cardozo respondeu que "provavelmente sim". (ANSA)
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