(Especial) Discurso de Dilma atrai manifestantes à ONU

Por Beatriz Farrugia, de Nova York NOVA YORK, 22 ABR (ANSA) - Manifestantes contrários e favoráveis à presidente Dilma Rousseff protestaram na manhã desta sexta-feira (22) em Nova York, diante da sede das Nações Unidas, onde a petista fez um discurso a chefes de Estado do mundo todo.   

Os manifestantes se concentraram em uma praça entre a 1ª Avenida e a Rua 47 por volta das 7h30, carregando cartazes com falas em português e inglês. A Polícia de Nova York colocou barreiras de ferro para dividir os dois grupos de manifestantes e evitar confrontos físicos.   

As barreiras, porém, não evitaram que os ânimos se acirrassem e que houvesse troca de ofensas entre os manifestantes. De um lado estavam cerca de 50 pessoas que apóiam Dilma e denunciam o chamado "golpe à democracia". De outro, aproximadamente 30 pessoas pediam a saída da presidente e prisão do ex-mandátario Luiz Inácio Lula da Silva.   

Dilma chegou na noite de ontem a Nova York e foi recebida com flores e gritos de apoio de alguns brasileiros que vivem na cidade. A viagem de Dilma estava programada, mas não tinha sido confirmada até dois dias atrás. Em um primeiro momento, o governo pensou em cancelar a ida da presidente ao evento na ONU devido à crise política e à aprovação do prosseguimento do processo de impeachment pela Câmara de Deputados.   

A presidente resolveu viajar para Nova York como estratégia para angariar apoio internacional contra o impedimento, chamado por ela de golpe. Em seu discurso oficial no plenário da ONU, Dilma disse que o Brasil é um país marcado por uma historia democrática e pediu apoio dos lideres políticos presentes na defesa da liberdade e para evitar qualquer retrocesso democrático.   

Em seu discurso na ONU, Dilma destacou que o Brasil é "um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia".   

"Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso", concluiu.   

O evento na ONU foi convocado pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, para assinatura do acordo climático de Paris, negociado no ano passado na França, com novas metas globais de redução de emissão de gases poluentes. O documento substituirá o Protocolo de Kyoto.   

Imprensa - As falas de Dilma repercutiram na imprensa internacional. Minutos após o pronunciamento, o jornal "The News York Times" publicou uma nota ressaltando que a presidente admitira que o Brasil enfrenta um momento difícil, mas se mostrou confiante com o futuro.   

Nesta semana, o jornal "The Washington Post" publicou uma análise sobre o processo de impeachment e questionou se poderia ser considerado um golpe. "A resposta é: não é um golpe. Mas também não é um processo democrático", concluiu a publicação.   

Congresso - No último domingo, deputados aprovaram o seguimento do processo de impeachment de Dilma, acirrando ainda mais a crise política no país. Processo agora será tramitado no Senado.   

(ANSA)
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