A 100 dias dos Jogos, Brasil está longe do pódio

Marco Brancaccia SÃO PAULO, 26 ABR (ANSA) - As lágrimas de alegria de Lula no momento da entrega das Olimpíadas ao Rio de Janeiro, em outubro de 2009, são a imagem desbotada de uma potência emergente empurrada pelos ótimos resultados econômicos, políticos e sociais e que agora não existe mais. O Brasil de hoje, a 100 dias da abertura dos Jogos do Rio, é muito diferente daquele de sete anos atrás.   


A crise morde, a economia está em recessão, a inflação chegou aos dois dígitos, o mercado de trabalho perdeu quase 2 milhões de postos apenas nos últimos 12 meses, os preços aumentam e o impeachment da presidente Dilma Rousseff parece cada vez mais inevitável.   


Uma conjuntura negativa que se reflete também nas Olimpíadas: os organizadores tiveram de reduzir em R$ 900 milhões a estimativa de custo dos Jogos. Os cortes atingiram sobretudo as estruturas e construções temporárias, enquanto outras obras foram redimensionadas. O veículo leve sobre trilhos, por exemplo, operará exclusivamente de Ipanema à Barra da Tijuca, onde fica a Vila Olímpica, sem parar nas outras estações.   


Já a arquibancada flutuante da lagoa Rodrigo de Freitas, onde os níveis de poluição são cada vez maiores, foi definitivamente cancelada. Agora serão apenas 6 mil lugares para assistir às provas de canoagem, contra os 14 mil previstos. Em Londres, eram 25 mil assentos disponíveis. O dinheiro acabou. O governo federal, empenhado em uma luta política pela própria sobrevivência, está com o caixa vazio, enquanto o estado do Rio de Janeiro está à beira da bancarrota.   


Para complicar ainda mais a situação, há a epidemia de zika, que está fazendo definhar a venda de bilhetes para as competições de agosto. A tudo isso se deve acrescentar problemas endêmicos de corrupção, criminalidade, trânsito caótico e poluição. Sem contar as recentes ameaças terroristas do Estado Islâmico, levadas a sério pelas autoridades e dirigidas a pelo menos 10 delegações, incluindo Estados Unidos, França, Reino Unido e Israel.   


Como se não bastasse, nos últimos dias desabou uma parte da futurista ciclovia construída sobre o mar - não muito longe da Casa Italia ('sede' do país europeu durante os Jogos) e inaugurada apenas três meses antes pelo prefeito Eduardo Paes -, matando dois ciclistas amadores.   


Os Jogos serão disputados em quatro regiões da capital fluminense: Barra da Tijuca, Copacabana, Maracanã e Deodoro. Dos 33 locais onde haverá competições, 14 ainda estão em obras. Os que mais causaram impacto nos cofres públicos foram o Parque Olímpico, que custou R$ 2,34 bilhões, e a Vila dos Atletas, de R$ 2,9 bilhões.   


As estruturas mais atrasadas são o Velódromo, o Centro Aquático, cuja capacidade foi reduzida de 18 mil para 13.750 lugares, o Centro Hípico e as quadras de tênis. A presidente Dilma Rousseff assegurou recentemente que as Olimpíadas do Rio serão as "mais bonitas". No entanto, é muito provável que ela não esteja no cargo durante os Jogos e que em seu lugar esteja o vice Michel Temer, um dos políticos menos amados do Brasil.   


Se eventualmente Temer também cair, será empossado o presidente da Câmara Eduardo Cunha, envolvido em escândalos de corrupção e acusado por Dilma de ter arquitetado o impeachment para encobrir os próprios problemas judiciais.   


Em breve se saberá quem assistirá da tribuna de honra do Maracanã à cerimônia de abertura, em 5 de agosto. Mas uma coisa é certa: independentemente de quem for, será submetido às vaias dos brasileiros, que exigem o fim de um sistema político corrupto e voltado aos próprios interesses. (ANSA)
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